quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Anita Garibaldi – A heroína de dois mundos

Ana Maria Ribeiro da Silva conhecida como Anita Garibaldi, foi uma importante revolucionária. Participou da Revolução Farroupilha no Brasil e também da Batalha de Gianicolo, pela unificação na Itália. Por lutar na América do Sul e na Europa foi nomeada de “Heroína de Dois Mundos”.
Nasceu em 30 de agosto de 1821 em Morrinhos do Mirim, município de Laguna, Santa Catarina. Era filha de Bento Ribeiro da Silva e Maria Antônia de Jesus Antunes. A família tinha origem humilde e valorizava a cultura e a educação. Quando seu pai faleceu, Anita casou-se aos 14 anos com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar. Era uma jovem de caráter independente e resoluto, que defendia e gostava de participar das questões que promoviam liberdade e justiça no país. Após três anos de matrimônio, o casamento acaba.
Foi durante a Revolução Farroupilha no ano de 1839 que Anita conhece o italiano Giuseppe Garibaldi, que a serviço da República Rio-Grandense, participa da tomada do porto de Laguna, na então província de Santa Catarina. Garibaldi tinha chegado ao Rio de Janeiro em busca de exílio após ser condenado à morte em seu país. Nessa época iniciava no Brasil a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, movimento comandado por Bento Gonçalves e ligado aos latifundiários escravistas e separatistas que lutavam pelo fim do Império brasileiro.
Quando Garibaldi soube dessa revolução logo se envolveu no apoio em defesa da causa. Com homens, armas e um veleiro à sua disposição, Garibaldi seguiu para a cidade de Laguna e assim lá conheceu Anita, que já estava envolvida na revolução. Apaixonaram-se a primeira vista e a partir desse momento seguiram sempre unidos em qualquer situação. No dia 20 de outubro de 1839, Anita subiu a bordo do navio de Garibaldi para uma expedição até Cananéia, abandonando definitivamente sua vida para trás. Em batalha, era uma mulher valente e não media esforços: chegou a carregar e disparar canhões na batalha de Laguna e lutou bravamente durante o combate em Imbituba, Santa Catarina.
Apesar de ser destemida, Anita Garibaldi foi capturada pelas tropas do Império durante a Batalha dos Curitibanos, mas conseguiu executar uma fuga em um instante de distração dos guardas, tomou um cavalo e fugiu. Após atravessar a nado o Rio Canoas, foi ao encontro de Garibaldi em Vacaria. Ela realizou essa façanha já grávida de seu primeiro filho.
Em 16 de setembro de 1840, nasceu no estado do Rio Grande do Sul, na então vila e atual cidade de Mostardas o primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Menotti Garibaldi, em homenagem ao patriota italiano Ciro Menotti. Doze dias depois, o exército imperial, comandado por Francisco Pedro de Abreu, cercou a casa para prender o casal, e Anita fugiu novamente a cavalo com o recém-nascido nos braços, alcançando um bosque aos arredores da cidade, onde ficou escondida por quatro dias, até que Garibaldi a encontrou.
Em 1841, Bento Gonçalves dispensa Garibaldi, que segue com Anita para Montevidéu no Uruguai, engajando-se na frente da defesa contra o ex-presidente Oribe. Anita, Giuseppe e Menotti mudaram-se para Montevidéu, no Uruguai, recebendo um rebanho de 900 cabeças de gado. Foi no Uruguai que também em 26 de Março de 1842, Anita casa-se com Garibaldi na paróquia de San Bernardino e nascem os outros três filhos do casal: Rosa (1843), Teresa (1845) e Ricciotti Garibaldi (1847). Rosa faleceu aos dois anos de idade por asfixia, por causa de uma infecção na garganta.
Em 1847, Anita foi enviada para a Itália, onde lá, o casal continuou envolvido em lutas para a unificação do país, que na época estava dividido em reinos e repúblicas, além dos territórios pertencentes ao Papa. Sem sucesso na empreitada, são obrigados a fugir de Roma após a derrota na Batalha do Gianicolo. Assim seguem viagem para a Suíça, disfarçados de soldados. Ao passarem pela cidade de San Marino, a embaixada norte-americana ofereceu um salvo conduto para tirar o casal da situação de risco, mas Anita e Giuseppe não aceitaram por acreditarem que uma atitude de “rendição” poderia impactar negativamente o processo de unificação. Continuaram em fuga e Anita adoeceu durante a viagem, na região próxima a província de Ravena. Estava gestante de cinco meses e não resistiu a uma forte crise de febre tifóide, falecendo no dia 4 de agosto de 1849 em Mandriole, Itália. Por estar sendo perseguido pelos austríacos, Garibaldi precisava continuar em fuga e não conseguiu acompanhar o sepultamento da esposa. O revolucionário italiano seguiu viagem, permanecendo exilado dez anos fora da Itália.
Os restos mortais de Anita foram exumados por sete vezes. Por vontade do marido, seu corpo foi transferido a Nice.
Posteriormente, foi erguido um monumento em homenagem a Anita Garibaldi na colina de Gianicolo em Roma em 1932, junto ao local foram enterrados seus restos mortais em definitivo.
A casa onde Anita Garibaldi residiu em Laguna, Santa Catarina, foi transformada em museu aberto, reunindo o acervo histórico das batalhas e objetos que pertenceram à heroína. Foi também homenageada com o seu nome, um município no estado de Santa Catarina, além de ruas, avenidas e diversos monumentos no Brasil, Uruguai e na Itália.
Anita Garibaldi é verdadeiramente uma das principais personagens de nossa história.


Por: Diones Franchi
Jornalista e mestre em História

Fontes:

-BANDI, Giuseppe. Anita Garibaldi (1889).
-OLIVEIRA, Catarina – Infoescola.com Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)
-DUMAS pai, Alexandre. Memórias de Garibaldi (1861, 1931)
-LAMI, Lucio. Garibaldi e Anita: Corsari (1991).




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