quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A Carreta de boi

A Carreta ou Carro de Boi é um dos mais primitivos e simples meios de transporte, tendo sido muito utilizado no Rio Grande do Sul.
Desde as origens da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul até a chegada do trem e do automóvel, o Estado andou a reboque dos carros de boi.
Conhecida como Boeiro” em Portugal, “cambona” em algumas regiões do interior do Brasil, o carro de boi e “carreta” nos pampas gaúchos já era conhecido dos chineses e hindus. Também os egípcios, babilônios, hebreus e fenícios utilizavam o transporte “via bois”. Mais tarde, os europeus, quando se lançaram à colonização da África e da América, fizeram do boi um item indispensável da carga das caravelas.
Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, trouxe consigo carpinteiros e carreiros práticos, e, em 1549, já se ouvia o “cantador” nas ruas da nascente cidade de Salvador/BA. A presença do carro de boi também é mencionada no “Diálogo das Grandezas do Brasil”, de Ambrósio Fernandes Brandão: “É necessário que tenha (…), 15 ou 20 juntas de bois com seus carros necessários aparelhados (…)”, e mais adiante, “A vaca, sendo boa, é estimada a (…), e o novilho, que serve já para se poder meter em carro, a seis e a sete mil réis (…)”.
Nos primeiros tempos da colonização, além de manter em movimento a indústria açucareira da roça ao engenho, do engenho às cidades, o carro de bois mobilizou a maior parte do transporte terrestre durante os séculos XVI e XVII. Transportavam materiais de construção para o interior e voltavam para o litoral carregados com pau-brasil e produtos agrícolas produzidos nas lavouras interioranas. No Brasil colonial, além dos fretes, o carro de bois conduzia famílias de um povoado para outro muitas vezes transformado em “carro-fúnebre” e os carreiros precisavam lubrificar os “cocões” para evitar a cantoria em hora imprópria.
No início do século XVI, o carro de bois era ainda absoluto no transporte de carga e de gente. No Sul, no Centro, no Nordeste, era indispensável nas fazendas. No Rio Grande do Sul, as carretas conduziam para a Argentina e para o Uruguai a produção agrícola. Foi utilizada durante a guerra dos farrapos, no transporte também das mulheres, feridos e de armamento. Na Guerra do Paraguai, os carretões transportaram munições, mantimentos e serviram ainda como ambulâncias.
Em meados do século XVIII, entretanto, com o aparecimento da tropa de burros, o carro de bois perdeu sua primazia. Mais leves e mais rápidos, os muares não exigiam trilhas prévias e terrenos regulares. No final do século, vieram os cavalos para puxar carros, carroças e carruagens, e o carro de bois foi proibido por lei de transitar no centro das cidades, ficando o seu uso restrito ao meio rural.
Os veículos motorizados aceleraram o processo de decadência do carro de bois no Brasil, na Argentina, em Portugal, na Espanha, na Grécia, na Turquia, no Irã, na Indonésia e na Malásia. Contudo, em todos esses lugares, artesãos continuaram a construí-los e a aperfeiçoá-los e, graças a essa gente, o carro de bois persiste na sua marcha pela história.
As carretas riscaram os primeiros caminhos do pampa, ajudaram a fundar cidades e abastecer bolichos. Transportaram mantimentos em tempos de paz, armas em períodos de guerra, sempre ao passo vagaroso do gado. Em solo gaúcho, as razões para o abandono da carreta incluem a lentidão do gado e as agruras da viagem, que sujeitam o condutor a intempéries, a dormir e comer ao relento, sem banho ou troca de roupa.
Hoje, um dos mais tradicionais meios de locomoção do gaúcho está em extinção, mas permanece nas memórias do pampa.

Por: Diones Franchi 

Referências:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2012/08/zero-hora-revela-o-cotidiano-dos-ultimos-carreteiros-do-estado-3865199.html
http://naboleia.com.br/carro-de-boi-a-origem-do-transporte/




segunda-feira, 23 de abril de 2018

A lenda da Lagoa Vermelha

A primeira tentativa dos padres jesuítas, que resultou na fundação de 18 Povos Missioneiros no Rio Grande do Sul, foi fracassada. Os bandeirantes de Piratininga, que haviam arrasado as reduções do Guairá caçando e escravizando índios para a escravidão das lavouras de cana-de-açúcar de São Paulo e Rio de Janeiro, quando souberam que os padres tinham vindo mais para o sul e erguido suas aldeias no Tape, vieram aqui fazer o que sabiam fazer. Assim e aos poucos, os padres tiveram que refluir para o oeste, fazendo agora na volta o mesmo caminho que tinham feito na vinda. 
E nessa fuga tratavam de levar consigo tudo o que podiam carregar. O que não podiam, queimavam ou enterravam. Casas, plantações, até igrejas foram incendiadas, para que nada ficasse aos bandeirantes. 
Pois diz que numa dessas avançadas pelo Planalto, no rumo da Serra, uma carreta carregada de ouro e prata, fugiu das Missões.
Ali vinha objetos das igrejas, como candelabros, castiçais, moedas, ouro em pó, um verdadeiro tesouro cujo peso faziam os bois peludearem. Com a carreta, alguns índios e padres jesuítas e atrás deles, sedentos de sangue e ouro, os bandeirantes. 
Ao chegarem às margens de uma lagoa, não puderam mais. 
Desuniram os bois e atiraram a carreta com toda a sua preciosa carga na lagoa, muito profunda. Os animais sob o peso da carga, puxados pelos índios, entravam na lagoa, submergindo, morrendo e sepultando consigo no líquido da lagoa a preciosa carga. 
Daí então para cá, as águas tornaram-se de uma cor vermelho amarelada, que nunca mudou de tom, simbolizando o ouro sagrado. 
A lagoa ficou perene em tudo, nunca mudou de cor, nunca aumentou de volume e também não diminui com secas; não transborda e a sua quietude no ambiente da plaga campestre constitui a proteção de uma riqueza inviolável e sagrada, confiada à sua perenidade. 
Até hoje, ninguém pode desvendar o mistério da lenda. 
A lagoa é bem profunda, existe muito lodo no leito e a população respeita com amor religioso o preceito da lenda. Essa fé à lenda afasta os ambiciosos e ninguém se aventurou em profaná-la. 
Assim foi e assim será, porque, segundo a lenda, se um dia alguém esgotar a fonte sagrada, secará as águas dos rios e tudo se transformará em deserto. 
Ao seu redor, cresceu uma bela cidade, que tomou seu nome – Lagoa Vermelha. E cada vez que um dos seus moradores passa na beira das águas coloradas, lembra que ali ninguém se banha, nem pesca, pois, conforme a lenda, a Lagoa não tem fundo.

Lagoa Vermelha

Fontes:

http://www.lagoavermelha.rs.gov.br/municipio/historia-e-lenda/
http://www.lendas-gauchas.radar-rs.com.br/lagoa_vermelha.htm

terça-feira, 27 de março de 2018

Mulher Farrapa

Quando se fala em Revolução Farroupilha, logo se pensa nos homens que lutaram contra o Império durante dez anos, mas esta guerra teve centenas de heroínas anônimas. Mulheres que apesar do sofrimento por ver o marido e os filhos partirem para a luta, sem saber se voltariam vivos, tiveram que assumir suas casas e estâncias para assim manter a economia e a sociedade.
A Revolução Farroupilha colocou a mulher num encontro ingrato e arriscado com a vida, porém, por mais ameaçadoras, que se tenham apresentadas as circunstâncias, ela sempre soube manter-se firme: quanto mais a situação era adversa, mais a mulher soube se transformar na forja sagrada das convicções do herói farroupilha. 
A mulher guerreira ficou conhecida “vivandeira” ou chinas de soldado que acompanhavam os homens nos campos de batalha, cuidando de sua roupas e comida. “Andavam à cauda das colunas militares, a cavalo ou em carretas, incitando os soldados às lutas, curando suas feridas ou aquecendo-lhes o corpo e a alma”. 
A mulher estancieira foi a mulher que permaneceu na estância, administrando as lides campeiras e domésticas, tomando conta do lar, dos filhos, e cuidando dos negócios do homem ausente, que rezava pelos vivos e chorava os mortos. Era aos olhos de Deus e da sociedade patriarcal – a mãe, a esposa, a filha – permanecendo em casa, aguardando ansiosa o desfecho da guerra e o retorno do guerreiro. A história também registra a mulher farroupilha do decênio heróico, que foi a mulher que de uma forma ou de outra figurou na história oficial do decênio heróico. Dentre elas, citamos Anita Garibaldi (Ana Maria de Jesus), mulher intensamente feminina, ativa, forte de ânimo, de decisões rápidas, uma exímia cavaleira, que despertou em Giuseppe Garibaldi um fortíssimo sentimento, mesmo nos poucos contatos que tiveram em Santa Catarina, quando da invasão de Laguna pelas tropas farroupilhas; além de Maria Josefa da Fontoura Palmiro, que promovia reuniões políticas em sua casa, em Porto Alegre, em apoio a Bento Gonçalves e aos Farrapos, e também defendia a libertação dos escravos e a causa farroupilha. Foi neste dificílimo momento, que o valor da mulher farroupilha foi testado, fazendo com que seu coração vivenciasse as inúmeras novas circunstâncias, levando-a a sujeitar-se às necessidades, aos infortúnios; mas,ela foi competente em sua função e incansável no desempenho do seu papel. Encantadora e generosa, companheira, não se deixou arrastar por convicções derrotistas, deixando na história um admirável perfil, abrindo perspectivas esplêndidas de esperança para seu companheiro, com admiráveis e imprescindíveis fatores decisivos e determinantes da inacreditável persistência dos farrapos. Numa época de revolta e de falta de carinho, essas mulheres nunca deixaram a afetividade de lado, pois sempre se reuniam nas estâncias e se uniam para rezar pelos vivos ou chorarem pelos mortos. 
A mulher farroupilha, com seu sentimento de compreensão e solidariedade, muito auxiliou o desenvolvimento da semente da República Rio-grandense, fazendo frutificar em heroísmo, a alma da gente farroupilha. Ela soube avaliar e enfrentar o perigo, não para receá-lo e sim para combatê-lo. Esta foi a mais sublime e valorosa lição feminina, raramente descrita com a merecida justiça. Este é o lado da revolta que não é muito enfatizado, mas que sem o auxílio dessas mulheres para seus maridos, provavelmente, a revolta dos farrapos não teria alcançado tanto destaque. Mesmo que a presença do homem se mostre como fundamental nos conflitos, o apoio das mulheres se revela como um papel importante no desenrolar dos mesmos, sobretudo, no reforço dos laços de solidariedade e no apoio prestado entre os que estavam envolvidos diretamente na guerra.

Por: Paulo Mena - Pesquisador



domingo, 5 de novembro de 2017

Dona Caetana – A primeira dama da República Rio - Grandense

Por: Diones Franchi

Cayetana Juana Francisca Garcia y Gonzáles nasceu em Melo no Uruguai em 6 de agosto de 1798. Era conhecida como Dona Caetana, a esposa de Bento Gonçalves, líder do movimento farroupilha no Rio Grande do Sul, e presidente da República Rio-Grandense.
Era filha de Narciso Garcia, natural da Espanha, e de dona Maria González, natural da localidade do Povo Novo, na cidade do Rio Grande.
Dona Caetana casou – se com Bento Gonçalves em 7 de dezembro de 1814, com apenas 16 anos e por esse fato é considerada a 1ª Primeira-Dama da República Rio-Grandense.
Em sua juventude Dona Caetana era considerada uma bela uruguaia de olhos verdes, sendo que jamais renunciou a língua pátria. Chamava a atenção em sua maneira de vestir-se, sempre com belos vestidos. 
Dizia uma “lenda” que Bento Gonçalves tratava Caetana de forma carinhosa e que o chamava de “Minha Uruguaiana” pelo fato de Caetana ser uruguaia. E que isto seria uma das denominações da origem do nome da cidade de Uruguaiana. De fato isso não tem comprovação histórica e nem está nos anais daquele município.
Mas na época o povoado da futura Uruguaiana estava sobre domínio dos farroupilhas, constando apenas o decreto n° 21, do General Bento Gonçalves da Silva, então Presidente da República do Rio Grande de Piratini, que autorizou a criação de uma "capela curada" denominada "Capela do Uruguai" no "Capão do Tigre" cujo território, assim como o de Santana faziam parte de 2° distrito de Alegrete.
O novo povoado chamava-se, no início, Santana do Uruguai, por ser uma passagem de tropas e comerciantes que costumavam atravessar o rio Uruguai, sendo mais tarde mudado para Uruguaiana.
Nada que comprovasse a denominação a esse fato, apenas que o local teve grande influência dos farrapos no período da revolução, fez se criar algumas lendas e literaturas romanceadas ligadas a Caetana.
Da sua união com Bento Gonçalves nasceram Perpétua Justa Gonçalves da Silva, Joaquim Gonçalves da Silva, Bento Gonçalves da Silva Filho, Caetano Gonçalves da Silva, Leão Gonçalves da Silva, Marco Antônio Gonçalves da Silva, Maria Angélica Gonçalves da Silva e Ana Joaquina Gonçalves da Silva.
Caetana foi personagem na literatura e na televisão, estando presente em romances históricos, como Os Varões Assinalados de Tabajara Ruas, A Guerra dos Farrapos de Alcy Cheuiche, A Casa das Sete Mulheres e Um farol no pampa, ambos de Letícia Wierzchowski. É mencionada também em correspondências do marido e descrita em registros históricos.
Sua existência tornou-se conhecida nacionalmente com a exibição, em 2003, da minissérie da Rede Globo, A Casa das Sete Mulheres, baseada em livro do mesmo nome, tendo sido interpretada pela atriz Eliane Giardini.
Faleceu em sua estância da Figueira, na casa da filha Maria Angélica e do genro Antônio José Centeno no município de Cristal no Rio Grande do Sul, em 30 de março de 1872 na época município de Camaquã. Seus restos estão sepultados em um jazigo no cemitério São João em Camaquã no Rio Grande do Sul.

Fontes:

Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Bento Gonçalves. Parlamentares Gaúchos – Atas e Resoluções da Primeira Legislatura da Assembleis Provincial. (1835-36). 2005
A Guerra dos Farrapos – Alcy Cheuiche. 2003
Prefeitura Municipal de Uruguaiana - http://www.uruguaiana.rs.gov.br/pmu_novo/historia

 Imagens de Bento Gonçalves e Dona Caetana - Museu de Camaquã - RS

Túmulo de Dona Caetana -Camaquã - RS

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O primeiro general da Republica Rio-Grandense

Por: Diones Franchi

A Revolução Farroupilha foi um marco na história do Rio Grande do Sul, disso não há dúvidas. Mas quando denominamos os personagens da revolução certamente lembremo-nos de Bento Gonçalves, David Canabarro, Garibaldi, Teixeira Nunes entre outros e talvez nos esqueçamos de seu primeiro general.
João Manuel de Lima e Silva foi o primeiro comandante do exército farrapo, sendo considerado desta maneira, o primeiro general da República Rio- Grandense.
Nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1805. Era proveniente de uma tradicional família de militares, sendo tio de Duque de Caxias, apesar de ser dois anos mais jovem.
Casou-se com Maria Joaquina, irmã do também farroupilha coronel José de Almeida Corte Real.
Estudou na Academia Real Militar e lutou na Bahia na Guerra da Independência como soldado de infantaria.
Como Major foi enviado para o Rio Grande do Sul em 1828 para comandar o 28° Batalhão de Caçadores Alemães, parte do Corpo de Estrangeiros. Em 1830 foi investigado como conspirador de um golpe republicano.
Colaborou com o irmão, general Francisco de Lima e Silva, Regente do Império, nos acontecimentos políticos que resultaram na abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril de 1831.
Em 1834, foi denunciado como rebelde e acusado de manter entendimentos secretos com Juan Antonio Lavalleja para a separação do Rio Grande do Sul, onde foi chamado à Corte, junto com Bento Gonçalves.
Em 1835 era coronel comandante de um quartel em Porto Alegre quando a Revolução Farroupilha estourou.
Em dezembro de 1835, quando Bento Manuel Ribeiro aderiu aos imperiais, assumiu o comando militar dos republicanos sendo para isso promovido a general, e com isso considerado o primeiro general do exército farroupilha.
João Manuel foi fundamental nos primeiros meses da Revolução, pela organização do exército rebelde, aproveitando sua experiência de Academia Militar.
Derrotou Bento Manoel Ribeiro e tomou Pelotas no combate do Passo dos Negros, em 2 de junho de 1836. Ferido recuperou-se na casa de Domingos José de Almeida, às margens do Arroio Pelotas. Em 1° de novembro do mesmo ano assume como comandante chefe dos exércitos da República.
Foi o principal promotor do alistamento dos libertos, mestiços errantes e escravos no exército republicano que estava se formando. Alguns meses antes de sua vitória em Pelotas, ele havia organizado alforriados numa unidade de infantaria. No dia 12 de setembro de 1836, às vésperas da Batalha do Seival, foi constituído o 1º Corpo de Cavalaria de Lanceiros Negros, com mais de 400 homens, que teve importante papel na vitória sobre o exército imperial.
Assinou a carta de corso que dava poderes a Giuseppe Garibaldi de atacar e prender qualquer navio de guerra ou mercantil do governo brasileiro e de seus súditos.
Em 5 de julho de 1837, auxiliado por uma tropa de 260 uruguaios, partidários de Fructuoso Rivera, derrotou, no Botuí, em São Borja, a força imperial do coronel Manuel dos Santos Loureiro. Fustigados novamente em Itaquera, os imperiais se refugiam na Argentina, de onde retornam em dois bandos de 20 homens. Em uma operação de guerrilha, comandada pelo cabo Roque Faustino, é aprisionado em São Luís das Missões, enquanto organizava a defesa das Missões, em 16 de agosto.
Seu fim foi trágico com apenas 32 anos, no dia 29 de agosto de 1837, João Manuel saiu de uma festa de batizado no interior de São Borja e relaxou a segurança. Foi tocaiado e assassinado por Roque Faustino e seu bando. Faustino foi identificado mais tarde por usar os arreios de prata e o poncho do general.
Seu corpo depois foi exumado e sepultado com toda a pompa em Caçapava do Sul, incluindo tochas e desfile de 35 virgens. Em 1840 o túmulo foi destruído por imperiais e seus ossos espalhados pelos campos. Tempo depois outro monumento foi construído em honra do herói farroupilha, que fez parte dos ideais republicanos que um dia tanto sonhou.

Fontes:

História Ilustrada do Rio Grande do Sul – RBS Publicações, 2004
PALDING, Walter. A revolução farroupilha in: Enciclopédia Rio-grandense, Editora Regional, Canoas, 1956


segunda-feira, 31 de julho de 2017

A ferrovia no Rio Grande do Sul

Por: Diones Franchi

A ferrovia no Rio Grande do Sul teve seu inicio em 15 de abril de 1874, quando foi construída pela companhia inglesa denominada de Companhia Brasileira Ltda, de Johan Mac Ginity, uma linha férrea de Porto Alegre até a cidade de São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos. A primeira ferrovia do estado tinha 33 km de extensão e oito estações ferroviárias, sendo hoje o caminho atual do metrô de Porto Alegre conhecido como Trensurb. Em 1º de janeiro de 1876 foi inaugurado o prolongamento até Novo Hamburgo. Em 1880 já eram transportados cerca de 40 mil passageiros por ano, sendo que a linha posteriormente foi estendida até Carlos Barbosa e Caxias do Sul. 
Após a inauguração da primeira ferrovia do estado, foi criada em 23 de dezembro de 1877 uma linha principal denominada de “linha tronco”, que atravessava o estado horizontalmente de Porto Alegre a Uruguaiana, que levou cerca de 30 anos para ser construída, sendo finalizada no dia 21 de dezembro de 1907. Com o passar do tempo, esta linha foi ficando insuficiente e então foram criados os ramais, que eram as linhas ferroviárias que ligavam as cidades até a linha tronco.
Em 2 de dezembro de 1884 foi a vez da cidade de Rio Grande ganhar transporte ferroviário. Nesse mesmo ano Bagé ganhava um terminal ferroviário da linha chamada Bagé-Marítima. Essa linha foi construída em partes: pela Southern Brazilian Rio Grande do Sul Railway Company Limited, sucessora de uma série de concessões anteriores. De Cacequi a São Gabriel, em meados de 1896 e de São Sebastião a Bagé, no final do mesmo ano, ambos pela E. F. Porto Alegre-Uruguaiana. Em 1900, a união São Sebastião-São Gabriel completaria o trecho Bagé-Rio Grande.
Enquanto isso Rio Grande criaria importante linhas férreas de trem como a Cia Estrada de Ferro de Rio Grande a Costa do Mar em Julho de 1890, Cia Carris e Estrada de Ferro a Estrada do Mar em Setembro de 1892, Cia e Viação Rio-grandense em fevereiro de 1895. Muitas linhas férreas foram construídas pelo estado, tornando o trem um importante meio de transporte no século 19.
No dia 29 de julho de 1920, o governo da união passou para o estado do Rio Grande do Sul a administração das ferrovias localizadas no seu território, o mesmo acontecendo no restante do país. Neste ano, foi criada a Viação Férrea do Rio Grande do Sul. Nisso houve um aumento de linhas ferroviárias gaúchas que passaram de 2.300 km para 3.650 km. Em média acontecia cerca de 70 transportes de passageiros no Rio Grande do
Sul diariamente.
Em 30 de setembro de 1957, surgiu a Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em consequência da decadência das “estradas de ferro” existentes no Brasil. As 42 ferrovias que existiam foram incorporadas a nova rede ferroviária num sistema de regionais, resumidas em 18. Nesse período novamente houve um grande avanço no setor ferroviário, surgindo os trens de luxo com locomotivas a diesel. O primeiro trem de luxo, foi chamado de “Minuano”, sendo de origem alemã. Logo após surgiu o trem de luxo Húngaro. Neste período, houve também um aumento na capacidade e remodelação dos vagões, onde as linhas foram melhorados os traçados dos trilhos, substituindo os dormentes de madeira por concreto. Mas os anos dourados do trem chegava ao seu fim com o avanço das rodovias no país e a desestatização da Rede Ferroviária Federal. 
Em 5 de dezembro de 1999, a RFFSA foi extinta, sendo criada a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), que ainda hoje é o órgão que fiscaliza e controla o pouco que sobrou do transporte ferroviário do país e do Rio Grande do Sul.

Fontes:
Ministério dos Transportes - A ferrovia no Rio Grande do Sul
www.estacoesferroviarias.com.br/
www.riograndeemfotos.fot.br

Porto Alegre - Estação Férrea do Riacho

Estação de Rio Grande - RS

Primeiras ferrovias do Rio Grande do Sul

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A origem dos farroupilhas

Por: Diones Franchi

Muitas pessoas se confundem entre o termo farroupilha e farrapos, de fato os dois se caracterizam no mesmo grupo, mas suas origens podem ser diferentes.
Alguns livros insistem que os termos farrapos ou farroupilhas dado aos revolucionários gaúchos, teve origem nas roupas que estes vestiam, que eram gastas e esfarrapadas. No entanto, a denominação é anterior à Revolução Farroupilha, sendo utilizada para designar os grupos liberais de ideias exaltadas.
O termo foi utilizado pela primeira vez para indicar revolucionários que no ano de 1700, no Rio de Janeiro, descontentes com as resoluções da câmara, na sua maior parte pequenos agricultores resolveram marchar sobre a cidade para protestar.
No ano de 1829 os grupos liberais já se reuniam em sociedades secretas. Uma delas era a Sociedade dos Amigos Unidos, do Rio de Janeiro, cujo objetivo era lutar contra o regime monárquico. Desde então, eram chamados de farroupilhas. 
O termo “farroupilha” já era um apelido antigo, que desde 1831 circulava no Rio de Janeiro nos jornais denominados “Jurujuba dos Farroupilhas” e “Matraca dos Farroupilhas”. Uma das versões diz que o termo havia sido inspirado nos "sans culottes" franceses, os revolucionários mais extremados durante o período da Convenção (1792 a 1795). Os "sans culottes", que literalmente quer dizer sem calção, usavam calças de lã listradas, em oposição ao calção curto adotado pelos mais abastados.
Outra versão insiste no fato de que o termo foi provavelmente inspirado nas roupas rústicas de um dos líderes dos liberais, Cipriano Barata que, quando em Lisboa, circulava pela cidade usando chapéu de palha e roupas propositadamente despojadas.
Em 1832, Luís José dos Reis, fundou o “Partido Farroupilha” em Porto Alegre, partido que já existia em São Paulo. Os “farroupilhas” eram os liberais exaltados, radicais, facção revolucionária que defendia a separação do Rio Grande do Sul em relação ao Brasil.
Nessa época já havia uma divisão entre o movimento farroupilha, pelo menos, em dois grupos: o grupo da maioria e o da minoria. O grupo da maioria possuía como líder Bento Gonçalves da Silva, Domingos José de Almeida, Mariano de Matos e Antônio da Silva Netto e defendia a independência do Rio Grande do Sul num Estado republicano independente que poderia se vincular, numa espécie de federação, tanto ao Brasil como aos demais países platinos. O grupo da minoria, representado por David Canabarro e Vicente da Fontoura, desejava reformas para a autonomia da Província, fosse num sistema monárquico ou republicano sem, necessariamente, sua separação do Brasil. Esse grupo assumiu o controle da revolução já em seu final, a partir de 1843, negociando o processo de paz com o Império. Mas sabe-se que os dois grupos tinham interesses em comum, como o controle de sua produção e dos altos impostos que a coroa cobrava da província, não buscando de fato uma divisão do resto Brasil, mas que suas solicitações fossem atendidas pela Coroa.
De fato o termo "farrapos" ganhou mais força durante o fim da revolução quando os soldados farroupilhas, diziam remendar suas roupas gastas e esfarrapadas no longo conflito, mas suas origens estão longe desta ideia.

Fontes:

ALMEIDA, Jerri Roberto. Revoluçãoi farroupilha: Traição e Morte no Cerro de Porongos
SPALDING, Walter (1963). A epopeia farroupilha.