sexta-feira, 22 de abril de 2016

Memórias do Pampa é reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura

O projeto cultural Memórias do Pampa foi classificado e aprovado pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, pela PORTARIA Nº 48, de 17 de novembro de 2015, publicado no Diário Oficial da União, reconhecido pela sua valorização cultural através da utilização da mídia e redes sociais para a divulgação da história local. O Ponto de Cultura Memórias do Pampa está cadastrado no site Cultura Viva no Mapa dos Pontos de Cultura do Brasil desde o dia 22 de abril de 2016.
Dessa forma o Memórias do Pampa se torna uma ferramenta, para ações culturais, onde o jornalista com o apoio do historiador, contribui também para o ensino de história através da TV e as mídias digitais, através de um projeto coletivo tendo como consequência um conjunto de atividades e reflexões partilhadas. 
Ponto de Cultura é a entidade cultural ou coletivo cultural certificado pelo Ministério da Cultura. É fundamental que o Estado promova uma agenda de diálogos e de participação. Neste sentido os Pontos de Cultura são uma base social capilarizada e com poder de penetração nas comunidades e territórios, em especial nos segmentos sociais mais vulneráveis. Trata-se de uma política cultural que, ao ganhar escala e articulação com programas sociais do governo e de outros ministérios, pode partir da Cultura para fazer a disputa simbólica e econômica na base da sociedade.
O “Memórias do Pampa” tem uma página no facebook com mais de 3500 pessoas inscritas, e um blog com mais de 30.000 visualizações mensais. No blog e no Facebook, atualmente são publicados matérias históricas da região da fronteira e do Rio Grande do Sul.
O Memórias do Pampa é também um programa independente veiculado e apoiado pela TV Câmara de Bagé – RS.



domingo, 10 de abril de 2016

A invasão espanhola no Rio Grande do Sul e a reconquista portuguesa

A maior parte do Rio Grande do Sul foi dominada pelos espanhóis durante 13 anos, de 1763 até 1776. O motivo é que os espanhóis reivindicavam por carta do Governador de Buenos Aires, Dom Pedro de Cevallos, ao Governador da capitania do Rio Grande de São Pedro, o Coronel Inácio Elói Madureira, grande parte das terras do Rio Grande do Sul, intimidando os portugueses a desocupar todas as terras da Espanha. E ainda exigiam a devolução dos índios guaranis, que haviam partido com Gomes Freire no final da Guerra Guaranítica. Cevallos que era inimigo declarado dos portugueses interpretou a seu modo, os acordos que modificavam o Tratado de Madri.
Por esses desentendimentos, Portugal deveria devolver as Missões aos espanhóis e reabriria as discussões sobre a Colônia do Sacramento.
Em 1763, Rio Grande foi invadido pelos espanhóis, para isso Cevallos avançou sobre a Colônia do Sacramento, e pela fortaleza de Santa Tereza, ocupando a vila de Rio Grande na barra da Lagoa dos Patos.
Houve falhas na defesa portuguesa para tentar impedir a invasão, ocorrendo cenas de selvageria, fraqueza e pânico. Com a invasão espanhola, grande parte da população foge e o governo se muda as pressas para Viamão. Nesse período a capitania do Rio Grande de São Pedro se limitou a uma pequena faixa litorânea e ao Vale do Jacuí.
Durante o tempo que ficaram no domínio das terras sul-rio-grandense, os espanhóis construíram fortes para assegurar o domínio das terras. Já em 1773 os portugueses transferem a capital de Viamão para Porto Alegre, em vista de sua situação geográfica privilegiada. Para reconquistar o território sul rio grandense, foi designado o Tenente- General Henrique Bönh, com o reforço de militares dos atuais estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina e Paraná. Destacando-se também a contribuição de civis paulistas, enviados durante a guerra, num fluxo contínuo para a fronteira de Rio Pardo, ao lado de civis rio-grandenses, e o Regimento de Dragões do Rio Pardo. Dessa maneira o exército português ataca os espanhóis e vence as batalhas de Monte Grande - 1763, Reconquista de São José do Norte - 1767, Santa Bárbara e Tabatingaí - 1774, São Marçotinho - 1775 e Santa Tecla em 1776, mesmo ano em que os portugueses derrotam os espanhóis, reconquistando a Vila de Rio Grande, depois da maior batalha naval da história do Rio Grande do Sul.



Getúlio Vargas na Rainha da Fronteira

Em setembro de 1952, o presidente Getúlio Vargas chegava ao Rio Grande do Sul para uma série de visitas nas principais cidades do estado. Entre elas Vargas visitou Bagé, cidade localizada na região sul da fronteira do Rio Grande do Sul, conhecida também como a Rainha da Fronteira.. A visita do presidente foi registrada através de imagens capturadas do Arquivo Nacional da Presidência da República. Nas imagens é possível ver a calorosa recepção da população bageense, sua a prefeitura municipal e sua aparição na sacada do prédio acenando para a população. Depois a visita em carro aberto e o discursos na Associação Rural de Bagé. Na viagem foi acompanhado pelo governador do estado Ernesto Dorneles. Sua visita está registrada nas Memórias do Pampa. Confira o vídeo abaixo!





quarta-feira, 23 de março de 2016

O início da ocupação no Rio Grande do Sul

A ocupação do Rio Grande do Sul foi determinada através da autoridade que se constituía o exército português. Para os lusos, não existiam diferenças entre aquilo que era o bem da Coroa e a propriedade particular dos que administraram essas terras em nome do rei. Principalmente nas regiões das fronteiras as ocupações espanholas e portuguesas eram travadas com legitimidade de autoridade.
O modelo de apropriação e ocupação se caracterizou através da colonização ibérica e lusitana, marcada por uma preocupação de constituir na região colonizada uma estrutura, cuja determinação era servir aos interesses da corte. Estes interesses buscavam, na região conquistada, levar mercadorias ou matérias-primas e metais preciosos para gerar na metrópole uma balança comercial favorável. 
A vida desses homens que trabalhavam nesta região tinha só um objetivo: tropear o gado entre o Prata, Laguna e São Paulo. Era um comércio de trânsito que se desenvolvia com rapidez a partir da abertura do caminho da Colônia de Sacramento a Laguna em 1726. O que caracteriza mais tarde, uma disputa por territórios, através de batalhas travadas por portugueses e espanhóis.
Nestas lutas entre os impérios, durante os séculos XVI, XVII e XVIII, tinha como objetivo direcionar as colônias apêndices comerciais para os interesses da Europa. Portugueses e espanhóis buscavam encontrar um lugar para se fixarem, queriam terras e, com a chegada da notícia que na capitania Del Rey havia rebanhos de bovinos pastando livremente, esses homens começaram a disputa por sesmarias nesta região. Estas terras viviam em constantes disputas entre as duas coroas ibéricas, o que facilitou um tipo de ocupação de natureza militar.
Para demarcar o território e sua ocupação foram construídos postos, estâncias e nas fronteiras fortes militares.
De acordo com Fortes, 1941, a estância se torna a primeira forma real de ocupação que levou a uma efetiva presença portuguesa na região, a legitimação da propriedade territorial e a radicação das famílias nas terras recém ocupadas.
Foi com o incremento do comércio do couro, a partir da Colônia de Sacramento, que o processo de ocupação do território se intensificou, pois a coroa procurava retirar dessa região algum dividendo, já que não se tinham, ainda, notícias de outras riquezas a serem exploradas. Esta ocupação foi marcada por lutas entre os impérios europeus, na busca de solidificar colônias.
No século XVIII, Portugal e Espanha negociaram essa região a partir de dois tratados: O Tratado de Madri (1750) e o de Santo Ildefonso (1777). Conforme Fortes, 1941, esta estrutura da propriedade se delineava na medida em que se expandia o comércio do couro. Assim a situação de fronteira do território, levou a distribuição de sesmarias, principalmente, à militares de postos variados. Dessa forma, conforme o autor, o colonizador principalmente nas fronteiras do Rio Grande do Sul, se constituiu nestas paragens, do militar que, por serviços prestados nas campanhas tinha como mérito esse território. Assim novamente afirma o autor “iam recebendo sesmarias de campo onde fundavam estâncias”. 
No século XVIII, o processo de ocupação no sul se faz mediante a realização de conflitos militares, envolvendo os interesses comerciais das coroas ibéricas, as quais buscam determinar suas posses, objetivando, com isto, garantir riquezas no comércio mundial.Nisso entre as regiões de conflito, temos o Forte de Santa Tecla, localizado próximo da fronteira com a Banda Oriental, hoje Uruguai e que foi ponto estratégico para uma batalha entre portugueses e espanhóis. Sobre o comando de Rafael Pinto Bandeira, os portugueses conquistam a região e sua soberania.

Gado ao norte do canal do Rio Grande de São Pedro - Guaíba

quinta-feira, 3 de março de 2016

A lenda do Monstro da Panela do Candal

Diziam existir em Bagé, na Panela do Candal, localizado próximo à igreja catedral de São Sebastião, um monstro com a forma de uma grande cobra, que há muito tempo, vivia tranquilo nos cerros do município. 
Nesse local havia um rio de respeito, grande e majestoso. Nesse rio, vivia um monstro que não agredia, nem matava e não tinha dentes e nem garras. Pouco se afastava de perto dos rios, procurando as funduras maiores onde seu corpo coubesse. Ao entrar nas águas estas marulhavam como se estivessem gemendo, esparramando-se pelas margens, sacudindo-se de ondas. 
Mesmo não agredindo ninguém, a grande cobra era caçada pelos soldados do tenente-general Dom Diogo de Souza. Por isso a criatura veio morar na Panela do Candal, uma região próxima ao arroio Bagé. O monstro em forma de cobra gigante cavou um buraco, formando um túnel e dizem que vive até hoje nesse local. 
O aldeamento começou a se formar, e o povoado passou a freguesia, multiplicando-se a população. Por isso a poucos metros da Panela do Candal, foi construída uma capelinha de São Sebastião, onde hoje em dia é a catedral da cidade. Crescia para ele o risco, e desapareciam as possibilidades de ainda poder sair, para ter um pouco que fosse de liberdade e sossego. 
Em certo dia a criatura surgiu despencando as portas da capelinha, destruindo tudo que enxergava pela frente, confrontando os povoadores da nascente da cidade. Foi nesse momento que o monstro em forma de cobra, foi ferido por uma lança de um jovem soldado, arrancando o seu olho. Perdido e sem alternativa ele fugiu transportando-se pelos ares, jogando-se novamente na Panela do Candal. 
A partir disso, a grande cobra se afugentou no buraco na Panela do Candal, colocando apenas a cabeça de fora da água para respirar. Sentindo-se ameaçado, o monstro feio, caolho e pacífico, continuou escavando e aumentando o túnel, pois precisava espichar-se, descansar e locomover-se. Até que um dia, cansado de ser caçado e de ficar preso embaixo da terra revoltou-se, atacando uma carroça com dois cavalos e o rapaz que a guiava, fazendo-os desaparecer nas águas, esmagando-os e arrastando-os para o subterrâneo. 
Segundo a lenda, muitas pessoas que passavam pelo local, sumiram, entre elas, uma lavadeira, uma criança de um circo, dois militares, um pescador, tropeiros, infinidade de novilhos e cavalos de raça, bois mansos, vacas e terneiros, tantas e tantas vidas foram ceifadas. Além de antigas embarcações, carretas e carroças que nunca mais foram vistas, sumiram sem rastro deixar, sem que nem os cadáveres e nem os veículos jamais fossem encontrados. 
Muitos dizem que até hoje, o monstro da Panela do Candal, vive em um túnel abaixo da catedral de São Sebastião. Ele simplesmente percebeu que se fosse apenas pacífico e brando, não teria sobrevivido, diante da vida que lhe ensinou a lutar. 

Baseado na obra de Pedro Waine.

A lenda 

Panela do Candal - Bagé - RS

Catedral de São Sebastião - Bagé - RS

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Joca Tavares - O líder federalista

João Nunes da Silva Tavares, mais conhecido como Joca Tavares é considerado um dos importantes personagens da Revolução Federalista de 1893 a 1895. Nasceu em Herval em 24 de maio de 1818, no berço de um das mais tradicionais e importantes famílias do Rio Grande do Sul. Chegou ao posto de general e foi presidente do estado do Rio Grande do Sul de 17 de junho a 4 de julho de 1892 .
Era filho do Visconde de Serro Alegre, João da Silva Tavares, e de Umbelina Bernarda da Assunção, e irmão de Joaquim da Silva Tavares, o Barão de Santa Tecla, sendo casado com Flora Vieira Nunes, com quem teve 12 filhos.
Joca Tavares começou sua história de lutas e desafios, bem antes da Revolução Federalista, já na véspera de estourar a Revolução Farroupilha, onde acompanhou seu pai juntando-se ao lado legalista. Três dias mais tarde combateu no arroio Telho, as forças revolucionárias de Gervásio Verdum. Em seguida partiu para Pelotas e no caminho, em 19 de outubro, próximo a São Lorenço apoiou o combate às forças do coronel Antônio Gonçalves da Silva. Logo depois se refugiou no Uruguai, regressando em 1836 para lutar no combate do Rosário, sendo feito prisioneiro pelo coronel Corte Real. 
Durante a Batalha do Seival foi novamente preso, e incitado pelos farroupilhas a mudar de lado, mas recusou-se inclusive a permanecer neutro, por isso foi mantido preso. Mais tarde é libertado, através da intermediação do chefe uruguaio Calengo. Novamente é atacado e sitiado, perto de Arroio Grande pelas tropas de Davi Canabarro, sendo feito, outra vez prisioneiro, com seu pai. Serviu a outras importantes batalhas na Revolução farroupilha e foi encarregado da defesa de Pelotas, recebendo o Barão de Caxias, que tinha sido nomeado presidente da província e comandante das armas.
Ao fim da revolução farroupilha com o Tratado de Ponche Verde, Joca Tavares tinha o posto de major, com apenas 27 anos de idade e 10 anos de combate, tendo conquistado todas suas promoções por atos de bravura.
Joca Tavares foi promovido à coronel, durante a Guerra do Paraguai e organizou um corpo de voluntários para libertar Uruguaiana. Após a retomada da cidade em 18 de setembro de 1865, vai para Bagé como comandante de brigada, incorporando-se ao 3° corpo de exército, comandado pelo General Osório rumo ao Paraguai. Depois, em 1868 combate em Palmas, recebendo a medalha do mérito militar. 
Ao passar pelo arroio Negla, aprisiona o coronel Salinas e por ele toma conhecimento do paradeiro de Solano López na margem esquerda do arroio Aquidaban. Ataca o acampamento de Solano Lopez, que morre em fuga, atingindo por um de seus soldados o Chico Diabo.
Depois da guerra, chegou ao posto de brigadeiro honorário do Exército imperial e recebeu o título de Barão de Itaqui por decreto de 18 de maio de 1870. Assumiu o comando da fronteira de Bagé de 1874 a 1878 e de 1886 a 1889. Em junho desse ano, declarou-se republicano e renunciou a seu comando militar e a seu título de nobreza, aliando-se aos republicanos gaúchos. Depois da proclamação da República em 15 de novembro de 1889, voltou a assumir o posto de comandante da fronteira de Bagé, onde permaneceu até janeiro de 1892. Nesse período, rompeu com o Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), liderado por Júlio de Castilhos, e ligou-se ao Partido Federalista, liderado por Gaspar Silveira Martins. Exilado na Europa desde a queda da monarquia, e agora defensor de uma República parlamentarista, Silveira Martins regressou a Porto Alegre no início de 1892, e em 31 de março desse ano, no encontro que ficou conhecido como Convenção de Bagé, foi aclamado chefe do Partido Federalista, então criado para fazer frente ao PRR de Júlio de Castilhos. Nesse encontro Joca Tavares foi lançado futuro candidato do partido à presidência do Rio Grande do Sul. 
No dia 17 de junho de 1892, Vitorino Ribeiro Carneiro Monteiro tornou-se presidente temporário do Rio Grande do Sul, na sucessão ao Marechal José Antônio Correia da Câmara, enquanto aguardava a instalação de um novo presidente. No mesmo dia, Júlio de Castilhos candidato do Partido Republicano Riograndense, (PRR) se proclamou presidente em Porto Alegre. O governo durou apenas um dia, pois, no mesmo dia, Joca Tavares, filiado ao Partido Federalista, também se proclamou presidente em Bagé, onde permaneceu no poder até 4 de julho de 1892.
Quando Júlio de Castilhos novamente se tornou presidente do Estado do Rio Grande do Sul em 1893, Joca Tavares se revoltou e iniciou uma guerra civil que logo se tornaria uma revolta generalizada contra os que apoiavam o governo republicano, denominando o confronto que ficou conhecido como Revolução Federalista. Ao encontro de Joca Tavares, consagrado chefe militar dos revoltosos, vieram do Uruguai tropas lideradas por Gumercindo Saraiva, formadas por brasileiros e uruguaios. 
Em 23 de fevereiro de 1893, Joca Tavares e Gumercindo Saraiva, juntos, ocuparam Dom Pedrito e em seguida Alegrete, de onde iniciaram vários outros ataques. Joca Tavares também enfrentou o Cerco de Bagé, mas não conseguiu vencer os amotinados liderados pelo coronel Carlos Maria da Silva Telles. 
As tropas federalistas rebeldes eram compostas de civis, e a maioria dos comandantes eram coronéis latifundiários, isto é, chefes locais. O armamento utilizado era precário, por isso os homens lutavam montados a cavalo, portando lanças e esporadicamente armas de fogo. A tática empregada eram as marchas rápidas e fulminantes, ataques de surpresa.
A Revolução Federalista durou até 1895, quando ele e Inocêncio Galvão assinaram a paz em Pelotas em 23 de agosto de 1895.
Joca Tavares faleceu em Bagé em 9 de janeiro de 1906, aos 89 anos. Em sua homenagem foi dedicada a Praça Barão de Itaqui, situada entre as estações do metrô Tatuapé e Carrão, na zona leste de São Paulo. Em Bagé lugar onde residiu, existe uma rua e um distrito com cerca de 800 habitantes, que leva o seu nome, ficando assim eternizado nas memórias do pampa e na história do Brasil.

João Nunes da Silva Tavares - Joca Tavares

Joca Tavares

Coronel João Nunes da Silva Tavares, conhecido como Joca Tavares (Segundo sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluindo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita).

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

“A Noiva de Garibaldi”

Manuela de Paula Ferreira ou Manuela Amália Ferreira era da família de Bento Gonçalves da Silva, o líder da Revolução Farroupilha, sendo sua prima apesar de ser confundida como sobrinha.
sobrinha de Bento Gonçalves da Silva, o líder da Revolução Farroupilha, mas ficou conhecida pela história como a “Noiva de Garibaldi”, por alimentar uma paixão platônica pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que a citou em suas memórias.
Nasceu em Pelotas em 8 de julho de 1820, era filha de Francisco de Paula Ferreira e Maria Manuela. Seu registro de batismo data de 20 de agosto de 1820, no Bispado de Pelotas.Tornou-se assim uma figura de certa importância durante a Revolução Farroupilha ao ser celebrizada com certa licença poética na memória popular, na literatura e na TV como "a noiva de Garibaldi”. 
Manuela viveu na companhia de seus pais e seus três irmãos em Pelotas até meados de 1835, quando sua família se envolveu num dos fatos históricos mais convulsivos da história do Rio Grande do Sul: A Revolução Farroupilha.
Seus pais assim como a maioria da população da época acabaram ficando do lado dos Farroupilhas.
Em 1835, Manuela, suas irmãs, sua mãe, Dona Cayetanna, e seus filhos estavam morando juntas em Pelotas, e ao saberem do início da Revolução, decidiram fugir, uma vez que a cidade se manteve fiel ao Império durante toda Revolução.
O lugar escolhido para refugiarem-se foi a Estância da Barra, de propriedade de Dona Anna Joaquina Gonçalves da Silva, irmã do General Bento Gonçalves, ás margens do Rio Camaquã, sendo um local de difícil acesso.
Viveram todas em total isolamento durante a Revolução, sabendo do que se passava somente por meio de cartas, mascates que pernoitava na Estância, ou quando seus parentes vinham até a propriedade.
Manuela teria tido um breve relacionamento com Giuseppe Garibaldi e teriam tornado-se noivos secretamente, pois a família de Manuela não achava que Garibaldi fosse ser um bom marido, e que ele não tinha recursos para dar uma boa vida para Manuela. Os dois mesmo sabendo da oposição da família planejaram-se casar secretamente e fugir, mas Bento Gonçalves tinha antes uma missão para Garibaldi em Laguna no estado de Santa Catarina. Foi na localidade catarinense que Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, chamava logo depois de Anita Garibaldi. 
Manuela ainda tinha esperanças de que Garibaldi voltasse, pois Anita era casada. Mas logo veio a notícia de que Anita estava grávida, e esse era a única circunstância que faria com que Manuela desistisse de Garibaldi.
Logo assim que nasceu seu filho Menotti, Garibaldi decidiu ir embora do Rio Grande do Sul, pois sabia que a guerra já estava perdida. Em 1849, Anita morreu aos 28 anos na Itália lutando pela unificação italiana, ao lado de Garibaldi. 
Manuela, ao saber dessa notícia, ficava todos os dias à espera de Garibaldi. Seus familiares julgavam que ela estava louca, assim como a sua irmã Rosário que havia enlouquecido de amores por um oficial caramuru, que havia conhecido em Pelotas, e que havia morrido. 
Garibaldi nunca foi ao seu encontro de Manuela, que mesmo assim nunca desistiu e morreu a espera do homem de seus sonhos.
No entanto, essas informações não são comprovadas, podendo não passar de mitos e conjecturas sobre o nome de Manuela, uma vez que é certa sua paixão por Garibaldi, mas não há nenhum indício que foi correspondida. 
A cronologia militar da Revolução Farroupilha registra que, em 17 de abril de 1839, Garibaldi dedicava-se a montar um estaleiro às margens do rio Camaquã, na estância de dona Ana, irmã de Bento Gonçalves, quando foi atacado de surpresa por uma força legalista de 150 homens, sob o comando de Moringue. Ele consegue mesmo assim desvencilhar-se da armadilha; contando com o auxílio de mais 11 companheiros, de início eram apenas ele e o cozinheiro da estância. Devido a sua astúcia e coragem derrotaram o adversário, e no mesmo dia Garibaldi comunicou o fato, com detalhes, ao comando superior. Ele destaca, no relatório, que cabia "toda a glória aos 11 bravos de que acima fiz menção, cujos nomes levarei à presença do governo, para que sejam devidamente premiados."
Muito anos depois nas suas Memórias, o italiano Garibaldi, célebre "herói de dois mundos", acrescenta ao episódio uma observação particular, uma pequena nota íntima, uma curta confissão. Diz assim: "Nós celebrávamos a vitória, gozando o fato de ter sido salvos de uma tempestade. Na sede da estância, a 12 milhas, uma virgem empalidecia e rezava pela minha vida; mais doce do que a vitória, me surpreendia à notícia. Sim, belíssima filha do Continente, eu era orgulhoso e feliz de te pertencer, fosse como fosse: tu, destinada a ser mulher de outro! A mim, a sorte reservava outra brasileira”. Portanto, não era de Ana de Jesus Ribeiro, a Anita, que ele relatava, pois ele só conhecerá sua famosa e brava companheira três ou quatro meses depois, não se sabe em que data na província de Santa Catarina. Tampouco se Anita era virgem: o mais provável que não, pois em 1839 já estava casada, há quatro anos desde os 15, com Manuel Duarte de Aguiar, mais conhecido em Laguna como Manuel dos Cachorros.
Essa, a belíssima filha do Continente, Garibaldi conheceu, no início do ano, na própria estância da família de Bento Gonçalves. Era a sobrinha do então presidente da República Rio-Grandense, filha de outra das suas irmãs, dona Maria Manuela. Garibaldi mesmo é que afirma, em outra passagem das Memórias, que na estância de dona Ana havia três moças, "uma mais graciosa do que a outra" na verdade três irmãs; no entanto, "uma delas, Manuela, dominava absolutamente a minha alma. Não deixei de amá-la, embora sem esperança, porque estava prometida a um filho do presidente".
Desde 1973, graças às pesquisas do historiador italiano Salvatore Candido, duas cartas dirigidas por Luigi Rosseti a Giovanni Battista Cuneo. Em 19 de janeiro de 1839 (meses antes do episódio mencionado neste primeiro parágrafo), informa o remetente: "Garibaldi esteve extremamente doente. Mas restabeleceu-se e ameaça se casar. Escreveu-me pedindo que eu lhe sirva de mentor. Imagine se o farei." Outra carta em 7 de fevereiro, retoma o assunto: "Garibaldi está apaixonado e ameaça se casar. Mas não vai fazê-lo, de jeito nenhum. Ele me prometeu."
De um lado, temos o depoimento de Rosseti, considerando-se responsável pela desistência de Garibaldi, certamente por não confiar na estabilidade do seu compatriota no que dizia respeito aos assuntos do coração; de outro, o depoimento do próprio Garibaldi, segundo o qual fora o presidente dos farrapos quem fizera naufragar o casamento, ao garantir-lhe que a moça estava já comprometida. 
O jornalista Paulo Markun, um dos biógrafos de Garibaldi, quanto ao segundo aspecto conclui e que pode-se entender que com toda a razão: "Era mentira. O presidente recebia o italiano em sua casa, mas no fundo achava-o um aventureiro e inventou o tal compromisso." Manuela Amália Ferreira, a virgem que empalidecera e rezara enquanto Giuseppe Garibaldi combatia, com uma dezena de companheiros, uma centena e meia de adversários, encontrava-se, em 1839, temporariamente na estância da sua tia Ana, em Camaquã, porque Pelotas, estava ocupada pelos legalistas e como em outras diversas ocasiões, durante a Revolução Farroupilha. 
Embora "destinada a ser mulher de outro”, Manuela essa loira, de grandes olhos azuis, conforme Fernando Osorio, relata em Mulheres farroupilhas), morreu solteira em Pelotas aos 82 anos de idade, no dia 26 de janeiro de 1903,de fraqueza do coração, em sua residência na Rua Marechal Deodoro.
Diz-se que guardou consigo, para sempre, cartas e poemas do europeu ilustre por quem fora sinceramente apaixonada. Enquanto viveu , até o início do século 20, era conhecida de todos os pelotenses como simplesmente "A Noiva de Garibaldi".


Manoela foi  mencionada nas Memórias de Garibaldi, escrito por Alexandre Dumas. É personagem nas obras: Garibaldi & Manuela de Josué Guimarães, Os Varões Assinalados de Tabajara Ruas,  A Casa das Sete Mulheres de Letícia Wierzchowski e Um Farol no Pampa, também de Letícia Wierzchowski. Foi também retratada, na minissérie da TV Globo, A Casa das Sete Mulheres, baseada no livro do mesmo nome, onde foi protagonista. 


Manoela citou, porém, a história farroupilha a qual viveu do início ao fim. Seu corpo encontrava-se sepultado na cidade de Pelotas porém há alguns anos atrás foi exumado e incinerado, já que a família não quis pagar para manter a sepultura dela.