domingo, 12 de julho de 2026

A Cruz Missioneira

A Cruz Missioneira é um símbolo histórico e religioso de quatro braços (variação da Cruz de Caravaca e a Cruz de Lorena). Foi trazida pelos padres jesuítas e esculpida em arenito pelos índios guaranis, representando a fé redobrada e a proteção divina. É o maior símbolo da identidade e da Nação Missioneira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
Ela também é conhecida como a Cruz de Caravaca, tendo quatro braços. A lenda diz que ela carrega uma proteção divina e os missionários a utilizavam como um amuleto do bem contra o mal, garantindo a evangelização e a segurança nas reduções jesuíticas.
Segundo a tradição cristã, no início do Cristianismo, Pedro, Paulo e seus apóstolos a desenhavam a Cruz Patriarcal no chão para evangelizar, sendo o que diferenciava a cruz de Jesus Cristo das outras é o segundo braço pequeno, sendo um traço horizontal menor superior representando a placa INRI (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus).
Devido às perseguições do Império Romano, apóstolos como Pedro e Paulo a desenhavam na areia, e eles apagavam os desenhos com os pés, caso os soldados se aproximassem.
Com o passar dos tempos esta cruz foi pegando forma de um segundo braço, portanto A Cruz de Caravaca e Lorena se originam desta adaptação ou evolução.
A Cruz Missioneira foi trazida pela primeira vez, pelos Padres Jesuítas da Companhia de Jesus, que tinha na maioria de seus membros, espanhóis da cidade de Caravaca de La Cruz. Foi adotado como símbolo de conquista de território, cumprindo o mesmo papel de devoção a Nossa Senhora Conquistadora. Esta evangelização e mistura de cultura simbolizada na Cruz Missioneira se espalhou por todo o Território do Rio Grande do Sul, atingindo países como Paraguai e Argentina.
A Nação Missioneira que tem como desenho a cruz de quatro braços era conhecida como a nação de três bandeiras, símbolo regado de História, Guerras, Colonizações, Costumes e principalmente miscigenação.
Dessa maneira, a Cruz Missioneira tem quatro braços em seu desenho e os detalhes se alteram conforme o artesão e a comunidade que a produz. Apresenta sua origem e modelos em três cruzes: Cruz de Caravaca, Cruz Patriarcal e Cruz de Lorena.
As histórias destas três cruzes se cruzam e misturam-se carregadas de simbologia que se fundem dando ainda mais valor a Cruz Missioneira:
- Cruz Patriarcal: possui um "braço" menor que representa a inscrição colocada pelos romanos na cruz de Jesus. (INRI que em Latim quer dizer “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”). Foi muito utilizada por bispos e príncipes da igreja cristã antiga. Muitos quando desenhavam a Cruz ou crucifixo colocavam um pequeno traço em cima simbolizando a placa que os romanos colocaram quando crucificaram Jesus Cristo.
Esta cruz foi tomando forma e para alguns se tornou símbolo de uma região na Espanha, conhecida por Caravaca de La Cruz, onde a Cruz de Caravaca teve uma aparição milagrosa no século XIV. Ela também origina a grande parte dos Padres Jesuítas da Companhia de Jesus, que em missão evangelizadora, em 1622, fundaram São Nicolau - RS, sendo a primeira redução jesuíta no atual estado do Rio Grande do Sul.
- Cruz de Lorena: é um sinônimo da Cruz de Caravaca usada na França principalmente para decorar, através de desenhos de brasões e escudos de guerra. Era também conhecida como Cruz de Borgonha.
- Cruz de Caravaca: é original da Espanha, onde se diz, possuir um pedaço da cruz onde foi crucificado Jesus Cristo.
A Cruz de Caravaca é um símbolo religioso e místico, não só no Catolicismo, onde representa “Poder e Proteção Divina”. Os Jesuítas a usavam como símbolo de carinho e estimulo e ficou conhecida por “Cruz Missioneira” sendo usada pelos índios nas Missões em todo o território do Rio Grande do Sul, como uma representação do bem contra o mal. A tradição relata que a cruz apareceu milagrosamente em 3 de maio de 1232, no Castelo de Caravaca, durante o domínio mouro na Espanha, contendo os fragmentos da Vera Cruz (o madeiro original onde Jesus foi crucificado), trazidos de Jerusalém. Os dois braços simbolizam a fé redobrada, foco, abnegação. A cruz é considerada como um amuleto, uma proteção espiritual contra todos os males.
A Cruz Missioneira foi esculpida pelos índios em pedra de arenito e está atualmente junto ao Patrimônio Cultural da Humanidade de São Miguel das Missões.
Hoje é o símbolo maior de toda a Região Missioneira, territorialidade dos 30 Povos do Brasil, Argentina e Paraguai, sendo a cruz o símbolo máximo da Bandeira da Nação Missioneira criada em 2012. Nos trevos e entradas principais das cidades ligadas as Missões dos três países podem ser vistas cópias em concreto, o que demonstra o símbolo como união da grande região das Missões.
Sendo assim, a Cruz Missioneira é um importante símbolo na história das Missões e do Brasil, através principalmente do Rio Grande do Sul.

Fontes:

De la Fuente, Vicente. La Santa Cruz de Caravaca (1886).
Portal: www.pousadadasmissoes.com.br – José Roberto de Oliveira (2022).

Por: Diones Franchi
Jornalista e mestre em história









segunda-feira, 25 de maio de 2026

A origem do nome do Rio Grande do Sul

A origem do nome Rio Grande do Sul, surgiu de uma expedição dos irmãos portugueses Martim Afonso de Souza e Pero Lopes de Souza em território brasileiro.
Foi uma missão de colonização portuguesa entre 1530 e 1532. É considerada, uma das principais frotas guarda-costas, colonizadora e exploradora, sendo de suma importância para história colonial do Brasil. É a primeira grande expedição colonizadora brasileira, onde foi tudo registrado, através de um diário de navegação.
Martin Afonso de Souza e Pero Lopes de Souza eram dois irmãos portugueses e grandes navegadores, que estavam cruzando de barco a costa brasileira de cima pra baixo. Cujo um dos objetivos dessa expedição era chegar até a foz do Rio da Prata.
Devido o Tratado de Tordesilhas, o Brasil foi dividido em capitanias e os irmãos Martin e Pero ficaram responsáveis pelas capitanias mais ao Sul.
Essa navegação era feita próximo à costa, para que eles pudessem observar o relevo do continente. Então, no dia 31 de janeiro de 1531, quando a esquadra cruzava no atual litoral gaúcho, mais ou menos na altura da cidade de Rio Grande, avistaram uma barra e acharam se tratar de um grande rio, com grande vazão de água. Logo chamaram de “Barra do Rio Grande”. Este local é o caudal da atual Lagoa dos Patos, onde ela desemboca no Oceano Atlântico. Por esta expedição acontecer em janeiro, mês que recorda a cátedra do apóstolo Pedro, Martin Afonso de Souza batizou o local de Rio Grande de São Pedro, que também é padroeiro dos pescadores, escolhido para proteger a nova povoação e a igreja erigida na região, mas também seria uma homenagem a seu irmão Pero (Pedro) Lopes de Sousa. Martim é conhecido, principalmente como o fundador da Capitania hereditária de São Vicente, atual estado de São Paulo.
A região sul-rio-grandense passou por diversas denominações, entre elas: Barra do Rio Grande, Capitania d’El-Rei, Capitania de Rio Grande de São Pedro, Continente de São Pedro, e Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, consolidando-se atualmente como Estado do Rio Grande do Sul.
O termo "do Sul" foi adotado para evitar confusão com o território do Rio Grande do Norte, cuja origem é o rio Potengi, chamado pelos colonizadores portugueses de "Rio Grande” devido ao seu grande porte. A chegada desta expedição portuguesa ocorreu em 7 de agosto de 1501, muito antes da expedição ao Rio Grande do Sul. O termo "Norte" também foi adicionado posteriormente para distinguir o estado da capitania do Rio Grande de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul.
O famoso Continente de São Pedro foi criado em 19 de fevereiro de 1737, com a criação da Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro.
No ano de 1760, tivemos a Capitania do Rio Grande de São Pedro, onde sua criação ocorreu em um período de intensas disputas luso-espanholas pelo território.
Em 19 de setembro de 1807, tivemos o surgimento da Capitania Geral de São Pedro do Rio Grande do Sul. Foi nessa época que foi inserido o termo ‘do Sul’ pra diferenciar do Norte.
Em 28 de fevereiro de 1821, surgiu então a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Mais tarde, em 11 de setembro de 1836, surgeria a República Rio-grandense, no período da Guerra dos Farrapos.
O nome do Estado do Rio Grande do Sul, só se tornou oficial em 28 de novembro de 1890, após a proclamação da República Federativa do Brasil.

Alguns nomes antigos do Rio Grande do Sul:

- Barra do Rio Grande (1531): Nome dado por navegadores ao avistarem a foz da Lagoa dos Patos.
- Capitania d’El-Rei (1534): Denominação informal para o território da Coroa Portuguesa no sul.
- Continente de São Pedro (1737): Primeiros núcleos de povoamento e comando militar.
- Continente do Rio Grande de São Pedro do Sul (1778): Variação de designação colonial.
- Capitania do Rio Grande de São Pedro (1804): Nomeado como unidade administrativa.
- Província de São Pedro do Rio Grande do Sul (1807): Nome oficial após a autonomia do Rio de Janeiro.
- República Rio-Grandense (1836): Nome durante a Revolução Farroupilha
- Estado do Rio Grande do Sul (1890): Nome atual da federação

O Rio Grande do Sul, ao longo dos anos, se fez um estado com diversas nominações, consolidando a história, através das raízes sul-rio-grandenses que determinaram nossa tradição e cultura.

Por: Diones Franchi
Jornalista e Mestre em História

Referências Bibliográficas:

FREITAS, Jordão de. A expedição de Martim Afonso de Sousa. In: DIAS, Carlos Malheiro (Dir.). História da colonização portuguesa do Brasil. Porto: Litografia Nacional, volume III, 1924, pp. 95-164.
PEREIRA, Paulo Roberto. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro: Lacerda, 1999.
SILVA, Riograndino da Costa e. Notas à margem da História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Editora Globo, 1968.
SOUSA, Pero Lopes de. Diário da navegação (1530-1532). Estudo crítico pelo comandante Eugênio de Castro e prefácio de Capistrano de Abreu. 2 ed. Rio de Janeiro: Comissão Brasileira dos Centenários Portugueses, 1940, 2 volumes.
SOUSA, Pero Lopes de. Diário da navegação (1530-1532). Edição de A. Teixeira da Mota e Jorge Morais-Barbosa. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1968.

Fontes Consultadas:

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – Rio de Janeiro – Volume 185 n. 498. Ano. 2024
Decreto nº 1.093, de 28 de novembro de 1890 do Estado do Rio Grande do Sul



Mapa Capitania de São Pedro -1801

Mapa da Capitania Rio Grande do São Pedro do Sul ou São Pedro do Rio Grande do Sul - 1809






sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Os principais conflitos do Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul em sua história, teve três principais conflitos que ocorreram em seu território:

 1 - Revolução Farroupilha (1835–1845): Foi o conflito mais longo do Brasil, motivado pela insatisfação das elites com a taxação do charque e a centralização do Império. Era caracterizado por um levante de estancieiros gaúchos contra o Império, motivado por impostos abusivos sobre o charque, buscando uma maior autonomia. Durante a guerra foi proclamada a República Rio-Grandense e na extensão do conflito a Santa Catarina (a República Juliana), terminando com a paz negociada por Caxias e o Tratado de Poncho Verde, que integrou os Farrapos ao exército e concedendo anistia, e mantendo o Rio Grande do Sul integrado ao Brasil. Teve como personalidades principais Bento Gonçalves, General Neto, Onofre Pires, Garibaldi entre outros.

2 - Revolução Federalista (1893-1895): Foi um conflito sangrento entre maragatos (oposição) e pica-paus (castilhistas/situação). Conhecida também como Guerra das degolas, o conflito aconteceu poucos anos após a Proclamação da República. O motivo seria a crise política gerada pelos Federalistas, grupo opositor ao governo de Júlio de Castilhos, então presidente do Rio Grande do Sul, que buscava conquistar maior autonomia e descentralizar o poder da recém-instalada República. É considerada a guerra com maior número de mortes do estado do Rio Grande do Sul, chegando a mais de 10.000 vítimas.

3 - Revolução de 1923: Foi as última grande guerra civil do estado, entre maragatos e chimangos, marcando a transição de poder. Movimento armado em que lutaram, de um lado, os partidários do presidente do Estado, Borges de Medeiros, conhecidos como Borgistas ou Chimangos, que usavam no pescoço um lenço branco, e de outro os revolucionários aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil, chamados Assisistas ou Maragatos, que usavam no pescoço um lenço vermelho. O conflito se deve também a acusações de fraude nas eleições para presidente do estado, que perpetuava os chimangos no poder.

O Rio Grande do Sul passou por diversas transformações, durante todos os conflitos armados, consolidando um estado com uma história de desafios e superações.

Diones Franchi 

Jornalista e mestre em história