A Cruz Missioneira é um símbolo histórico e religioso de quatro braços (variação da Cruz de Caravaca e a Cruz de Lorena). Foi trazida pelos padres jesuítas e esculpida em arenito pelos índios guaranis, representando a fé redobrada e a proteção divina. É o maior símbolo da identidade e da Nação Missioneira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
Ela também é conhecida como a Cruz de Caravaca, tendo quatro braços. A lenda diz que ela carrega uma proteção divina e os missionários a utilizavam como um amuleto do bem contra o mal, garantindo a evangelização e a segurança nas reduções jesuíticas.
Segundo a tradição cristã, no início do Cristianismo, Pedro, Paulo e seus apóstolos a desenhavam a Cruz Patriarcal no chão para evangelizar, sendo o que diferenciava a cruz de Jesus Cristo das outras é o segundo braço pequeno, sendo um traço horizontal menor superior representando a placa INRI (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus).
Devido às perseguições do Império Romano, apóstolos como Pedro e Paulo a desenhavam na areia, e eles apagavam os desenhos com os pés, caso os soldados se aproximassem.
Com o passar dos tempos esta cruz foi pegando forma de um segundo braço, portanto A Cruz de Caravaca e Lorena se originam desta adaptação ou evolução.
A Cruz Missioneira foi trazida pela primeira vez, pelos Padres Jesuítas da Companhia de Jesus, que tinha na maioria de seus membros, espanhóis da cidade de Caravaca de La Cruz. Foi adotado como símbolo de conquista de território, cumprindo o mesmo papel de devoção a Nossa Senhora Conquistadora. Esta evangelização e mistura de cultura simbolizada na Cruz Missioneira se espalhou por todo o Território do Rio Grande do Sul, atingindo países como Paraguai e Argentina.
A Nação Missioneira que tem como desenho a cruz de quatro braços era conhecida como a nação de três bandeiras, símbolo regado de História, Guerras, Colonizações, Costumes e principalmente miscigenação.
Dessa maneira, a Cruz Missioneira tem quatro braços em seu desenho e os detalhes se alteram conforme o artesão e a comunidade que a produz. Apresenta sua origem e modelos em três cruzes: Cruz de Caravaca, Cruz Patriarcal e Cruz de Lorena.
As histórias destas três cruzes se cruzam e misturam-se carregadas de simbologia que se fundem dando ainda mais valor a Cruz Missioneira:
- Cruz Patriarcal: possui um "braço" menor que representa a inscrição colocada pelos romanos na cruz de Jesus. (INRI que em Latim quer dizer “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”). Foi muito utilizada por bispos e príncipes da igreja cristã antiga. Muitos quando desenhavam a Cruz ou crucifixo colocavam um pequeno traço em cima simbolizando a placa que os romanos colocaram quando crucificaram Jesus Cristo.
Esta cruz foi tomando forma e para alguns se tornou símbolo de uma região na Espanha, conhecida por Caravaca de La Cruz, onde a Cruz de Caravaca teve uma aparição milagrosa no século XIV. Ela também origina a grande parte dos Padres Jesuítas da Companhia de Jesus, que em missão evangelizadora, em 1622, fundaram São Nicolau - RS, sendo a primeira redução jesuíta no atual estado do Rio Grande do Sul.
- Cruz de Lorena: é um sinônimo da Cruz de Caravaca usada na França principalmente para decorar, através de desenhos de brasões e escudos de guerra. Era também conhecida como Cruz de Borgonha.
- Cruz de Caravaca: é original da Espanha, onde se diz, possuir um pedaço da cruz onde foi crucificado Jesus Cristo.
A Cruz de Caravaca é um símbolo religioso e místico, não só no Catolicismo, onde representa “Poder e Proteção Divina”. Os Jesuítas a usavam como símbolo de carinho e estimulo e ficou conhecida por “Cruz Missioneira” sendo usada pelos índios nas Missões em todo o território do Rio Grande do Sul, como uma representação do bem contra o mal. A tradição relata que a cruz apareceu milagrosamente em 3 de maio de 1232, no Castelo de Caravaca, durante o domínio mouro na Espanha, contendo os fragmentos da Vera Cruz (o madeiro original onde Jesus foi crucificado), trazidos de Jerusalém. Os dois braços simbolizam a fé redobrada, foco, abnegação. A cruz é considerada como um amuleto, uma proteção espiritual contra todos os males.
A Cruz Missioneira foi esculpida pelos índios em pedra de arenito e está atualmente junto ao Patrimônio Cultural da Humanidade de São Miguel das Missões.
Hoje é o símbolo maior de toda a Região Missioneira, territorialidade dos 30 Povos do Brasil, Argentina e Paraguai, sendo a cruz o símbolo máximo da Bandeira da Nação Missioneira criada em 2012. Nos trevos e entradas principais das cidades ligadas as Missões dos três países podem ser vistas cópias em concreto, o que demonstra o símbolo como união da grande região das Missões.
Sendo assim, a Cruz Missioneira é um importante símbolo na história das Missões e do Brasil, através principalmente do Rio Grande do Sul.
Fontes:
De la Fuente, Vicente. La Santa Cruz de Caravaca (1886).
Portal: www.pousadadasmissoes.com.br – José Roberto de Oliveira (2022).
Por: Diones Franchi
Jornalista e mestre em história



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