segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Sepé Tiaraju

José Tiaraju, popularmente conhecido como Sepé Tiaraju, nasceu por volta de 1723, sendo um líder indígena que atuou na região do Rio Grande do Sul em luta em favor do povo guarani e contra as tropas portuguesas e espanhóis.
Sepé foi considerado em 1754 um dos principais chefes guaranis em meio aos conflitos com as tropas europeias em razão do Tratado de Madri, que previa a saída indígena do território das reduções orientais, para a margem ocidental do rio, de modo que os portugueses o ocupassem. Esse movimento de resistência constituiu as Guerras Guaraníticas.
Sepé destaca-se a partir de 1753, quando os guaranis impedem a passagem das comissões portuguesas em Santa Tecla, povoado de São Miguel. Com a morte do líder Alejandro Mbaruari, Sepé é de fato visto como chefe pelos próprios indígenas. 
Os confrontos, ainda que não favoráveis para ambas as partes, continuaram. O ano de 1754 foi difícil e trouxe o recuo das tropas espanholas e portuguesas, que devido ao mau tempo foram prejudicadas. Em fins de 1755, as tropas coligam-se e voltam a atacar, desta vez em direção a São Miguel, onde Sepé foi eleito corregedor no início de 1756. 
O indígena, sabendo da coligação dos exércitos, buscou agrupar seus homens e aliados dispostos ao confronto. E ainda, em 7 de fevereiro, após uma emboscada criada por alguns indígenas liderados por Sepé, responsáveis pela morte de militares portugueses, homens do exército coligado partem na perseguição dos indígenas guaranis.  
Ainda que diferentes narrativas tragam a partida de José Joaquim de Viana, governador de Montevidéu, em direção aos indígenas como perseguição ou ordem decretada, com cerca de 300 a 400 homens, sabe-se que, de fato, Sepé Tiaraju foi morto neste dia 7 pelas mãos do governador. Após acidentar-se com seu cavalo, o líder guarani tombou, imobilizado, sendo encontrado e torturado pelo governador, que o teria feito queimaduras em seu corpo, além de o estocar com lança, tirando sua vida com um tiro de revólver. Sua cabeça foi separada de seu corpo e enterrada num local distante. 
Sepé, que era uma das lideranças de maior destaque, foi assassinado três dias antes da batalha de Caiboaté. Comandados pelo substituto guarani Nicolau Neenguiru, os indígenas foram derrotados e arrasados pelas tropas ibéricas, contando com a morte de milhares de nativos. 
Em reconhecimento das ações, lutas e bravura de Sepé, a partir de 2005 foram desenvolvidas atividades em homenagem aos 250 anos da morte do guarani, coordenadas pelo Comitê do ano de Sepé Tiaraju, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde promoveram-se seminários, artigos e livros. Enquanto que, na cidade de São Gabriel, o guarani é tomado como herói por todos que ali vivem, sendo que no distrito de Tiaraju um monumento foi inaugurado em 10 de março de 1961, de maneira a eternizar e resgatar a memória do verdadeiro líder que lutou com e pelo seu povo. 
Sua história, ainda que cercada de mitos, lhe confere reconhecimento como “herói guarani missioneiro rio-grandense” pela Lei nº 12.366 do Estado do Rio Grande do Sul, instituindo o dia 7 de fevereiro como data oficial, e Herói da Pátria Brasileira pela lei Federal 12.032/09, com seu nome presente no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, junto a tantos outros. 

Por: Diones Franchi
Jornalista e mestre em história 

Referências bibliográficas:

BRUM, Ceres Karam. O mito de Sepé Tiaraju: etnografia de uma comemoração. Redes. Revista do Desenvolvimento Regional, v. 12, n. 3, 2007. p. 5-20.
BURD, Rafael. De Alferes a Corregedor: a trajetória de Sepé Tiaraju durante a demarcação de limites na América Meridional.
Cambruzzi, Bianca Novais - Universidade Federal Fluminense.