terça-feira, 17 de novembro de 2015

As origens de Dom Pedrito

Pedro Ansuateguy, também conhecido como Dom Pedrito, foi um fidalgo espanhol que deu início a uma povoação na Campanha Gaúcha por volta da década de 1770. Sua família havia fundado a casa senhorial em Biscaia, na antiga paróquia de Sán Andrés de Echeverría, no País Basco, Espanha, no século XVI. Pedro Ansuategui era descendente do nobre Basco Domingo de Ansoategui. Ele era magro e alto, fazendo lembrar o fictício Don Quixote. Por volta das últimas décadas do século XVIII, teria desertado das tropas espanholas da região do Prata, possivelmente da Banda Oriental, atual Uruguai. Como todos os renegados, construiu ranchos nas margens do Rio Santa Maria. Naquela localidade, ele e os companheiros se dedicaram ao contrabando nos limites entre os domínios portugueses e espanhóis. A povoação que ali cresceu, pertencia a Bagé, recebendo o nome de Dom Pedrito, apelido de Ansuateguy. Essa denominação veio depois que esse "gauche" (vagabundo do campo) sumira sem deixar rastros. Em 1872 Dom Pedrito se emancipou, separando-se de Bagé. O povoamento da região se iniciou em 1800, denominando-se inicialmente N. Senhora do Patrocínio de Dom Pedrito, logo após, passou a chamar-se somente Dom Pedrito. A partir de 1888, a sede foi elevada à categoria de cidade. Em função das atividades do fundador do município, somente por volta de 1825 o nome de Dom Pedrito passou a ser aceito como associado ao local. Foram, então, criadas várias estórias fantasiosas, visando relembrar o aventureiro fundador da cidade. Falava-se de um certo Dom Pedrito, heróico fidalgo espanhol, apaixonado por uma certa Carmencita. Houve ainda tentativas para mudar o nome da localidade para Ponche Verde e até Guanabara, mas nunca surtiram efeito. Hoje a cidade é conhecida como a “Capital da Paz”, pelo fato de nos campos de Ponche Verde, ter sido consolidada em 1845 a Paz Farroupilha, entre os farroupilhas sob o comando de David Canabarro e os imperiais sob o comando de Duque de Caxias. Diones Franchi Jornalista

 

Teatro 28 de setembro

Confira mais um programa Memórias do Pampa veiculado na TV Câmara Bagé, contando a história do Teatro 28 de setembro de Bagé - RS. Considerado um dos mais importantes teatros do Rio Grande do Sul em sua época, teve seu fim após um incêndio! Com o historiador Cláudio Lemieszek e a pesquisadora Elizabeth Fagundes.

O Índio Ibagé

Diziam que no local onde hoje é o município de Bagé, viveu um índio minuano ou charrua chamado Ibajé. Esse índio estaria enterrado no Cerro da cidade e seu nome, teria originado o nome do município. Mas a existência desse índio nunca foi comprovada e alguns acreditam que seja uma lenda. Há um desencontro de informações entre os historiadores sobre a sua existência. algumas hipóteses, onde dizem que a origem do nome Bagé, não vem do Índio Ibajé e sim, da linguagem indígena, que está relacionada com a ideia de "cerros". Os índios chamavam os Cerros de "mbayê, e também existiam a denominação de Passo do Bayé, que com o passar do tempo a fala do povoado mudaria para Bagé. Outra história relata a existência do Índio Ibagé, quando em 1752 Espanha e Portugal resolveram demarcar suas divisas entre um e outro reino. As forças espanholas e portuguesas incumbidas dessa missão, ao atingirem a Fazenda de São Miguel, hoje município de Bagé, foram detidas pelo índio Sepé Tiaraju, em nome do lendário Império Guaranítico. Na defesa de São Miguel encontrava-se o índio Ibagé, cujo nome se transmitiu à região, originando-se Bagé. O Índio Ibagé é um personagem importante na constituição do município de Bagé, sendo fato ou lenda é um marco nas memórias do pampa e de sua população. Diones Franchi - Jornalista

 

Os Charruas

Os Charruas eram índios que habitavam os campos dos territórios atuais do Rio Grande do Sul, sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Em 1730, eles se aliaram aos minuanos, que vinham de além do Rio Uruguai e se estabeleceram nas terras próximas à Lagoa Mirim e à Lagoa dos Patos. Os Charruas também frequentavam a região da fronteira do Rio Grande do Sul, tanto do Uruguai como da Argentina. Os guenoas eram charruas setentrionais. Os três povos têm suas origens na região da Patagônia, na Argentina, chamada de região dos índios "patagões". A estatura dos índios charruas era em média de 1,68 m para os homens e 1,67 m para as mulheres, de aspecto sério e porte duro e feroz. Os homens apresentavam barba como distintivo varonil, na qual os caciques usavam como adorno pedras e após o contato com produtos da civilização européia usavam latas e vidros. A tatuagem no rosto consistia em três linhas, que iam da raiz dos cabelos até a ponta do nariz e duas linhas transversais que cobriam a face. Para a guerra e festas pintavam a mandíbula superior de branco. A boleadeira era uma arma característica dos indígenas das pampas, sendo formada por bolas de pedra seguras ao extremo de guias de couro, entrançado ou retorcido. Os charruas tinham um temperamento bastante retraído e a sua vaidade expressava-se basicamente nas pinturas faciais que diferenciavam uma tribo da outra e nos homens, pelas cicatrizes feitas intencionalmente nos próprios corpos para dar a conhecer o número de inimigos mortos.Um fator diferente das demais tribos indígenas, era que os índios charruas faziam mutilações em seu corpo. A cada inimigo morto, um corte no corpo, formava uma cicatriz, demonstrando o número de inimigos mortos por aquele índio.O luto era a expressão mais representativa neste aspecto da vida dos charruas, e sua importância, implicava em obrigações diferenciadas de sexo e parentesco. Se o morto era o pai, o marido ou irmão que tivesse desempenhado a chefia familiar, os filhos, viúva e irmãs casadas cortavam uma falange da mão, começando pelo dedo mínimo. Alem disso, faziam com a lança do morto vários cortes espalhados pelo corpo, ficando temporariamente em reclusão e com a dieta restrita. A etnia charrua pura foi extinta antes do século XIX. Hoje existem no Rio Grande do Sul cerca de 400 indígenas descendentes dos Charruas e 6000 índios entre todos os países da América do Sul. Diones Franchi Jornalista

 

A Batalha do Seival

A Batalha do Seival foi um conflito entre os farroupilhas e as tropas imperiais. Os farrapos tinham como objetivo derrubar o presidente da província. Enviado por Bento Gonçalves, o General Neto partiu para à região de Bagé em setembro de 1836, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. Na tarde de 10 de setembro de 1836, Silva Tavares avançou sobre a coxilha, e os farroupilhas defenderam-se usando lanças e espadas. Um fato importante aconteceu na batalha, foi quando o cavalo de Silva Tavares, com o freio rebentado na peleia, disparou em velocidade, causando a impressão de fuga, mesmo entre seus comandados. A confusão entre eles foi aproveitada pelos cavaleiros de Neto, que atacaram com força redobrada. Os farroupilhas ficaram quase intactos, enquanto houve 180 mortos, 63 feridos e mais de 100 prisioneiros do lado dos imperiais. Entre os prisioneios estava João Frederico Caldwell. O embate repercurtiu na "Proclamação da República Rio-Grandense", por Antônio de Souza Neto, nos campos dos Menezes, cruzando o Arroio Seival. Hoje a localidade de Seival se encontra no município de Candiota, antigo distrito de Bagé. Diones Franchi - Jornalista

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O Forte de Santa Tecla e a colonização Portuguesa

Diones Franchi - Jornalista. Especialista em Comunicação - FATEC SENAC. Especialista em História do Rio Grande do Sul - FURG

A Paz Farroupilha

Existe no município de Dom Pedrito - RS, um obelisco de granito de sete metros de altura, localizado no distrito dos campos de Ponche Verde ha 42 Km da cidade. Esse marco é o garantidor da paz entre farroupilhas e imperiais, depois de quase 10 anos da Guerra dos Farrapos. O monumento foi erguido em 1945, na comemoração do centenário da pacificação, testemunhando a volta do Rio Grande do Sul ao Império do Brasil. Alguns historiadores informam que a paz de Ponche Verde ocorreu em 28 de fevereiro de 1845, quando o general farrapo David Canabarro assinou o tratado confiando na “palavra sagrada” e no “magnânimo coração” de Dom Pedro II. Outros indicam o 1º de março de 1845, como está gravado na pedra do obelisco, que o marechal Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, confirmou o acerto. A declaração do pacificador foi a seguinte: "Rio-grandenses! É sem dúvida para mim de inexplicável prazer o ter de anunciar-vos que a guerra civil, que por mais de nove anos devastou esta bela província, está terminada". Alguns historiadores também dizem que todas as tratativas da paz farroupilha, ocorreram em Bagé-RS. Diones Franchi - Jornalista