terça-feira, 5 de janeiro de 2016

“A Noiva de Garibaldi”

Manuela de Paula Ferreira ou Manuela Amália Ferreira era da família de Bento Gonçalves da Silva, o líder da Revolução Farroupilha, sendo sua prima apesar de ser confundida como sobrinha.
sobrinha de Bento Gonçalves da Silva, o líder da Revolução Farroupilha, mas ficou conhecida pela história como a “Noiva de Garibaldi”, por alimentar uma paixão platônica pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que a citou em suas memórias.
Nasceu em Pelotas em 8 de julho de 1820, era filha de Francisco de Paula Ferreira e Maria Manuela. Seu registro de batismo data de 20 de agosto de 1820, no Bispado de Pelotas.Tornou-se assim uma figura de certa importância durante a Revolução Farroupilha ao ser celebrizada com certa licença poética na memória popular, na literatura e na TV como "a noiva de Garibaldi”. 
Manuela viveu na companhia de seus pais e seus três irmãos em Pelotas até meados de 1835, quando sua família se envolveu num dos fatos históricos mais convulsivos da história do Rio Grande do Sul: A Revolução Farroupilha.
Seus pais assim como a maioria da população da época acabaram ficando do lado dos Farroupilhas.
Em 1835, Manuela, suas irmãs, sua mãe, Dona Cayetanna, e seus filhos estavam morando juntas em Pelotas, e ao saberem do início da Revolução, decidiram fugir, uma vez que a cidade se manteve fiel ao Império durante toda Revolução.
O lugar escolhido para refugiarem-se foi a Estância da Barra, de propriedade de Dona Anna Joaquina Gonçalves da Silva, irmã do General Bento Gonçalves, ás margens do Rio Camaquã, sendo um local de difícil acesso.
Viveram todas em total isolamento durante a Revolução, sabendo do que se passava somente por meio de cartas, mascates que pernoitava na Estância, ou quando seus parentes vinham até a propriedade.
Manuela teria tido um breve relacionamento com Giuseppe Garibaldi e teriam tornado-se noivos secretamente, pois a família de Manuela não achava que Garibaldi fosse ser um bom marido, e que ele não tinha recursos para dar uma boa vida para Manuela. Os dois mesmo sabendo da oposição da família planejaram-se casar secretamente e fugir, mas Bento Gonçalves tinha antes uma missão para Garibaldi em Laguna no estado de Santa Catarina. Foi na localidade catarinense que Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, chamava logo depois de Anita Garibaldi. 
Manuela ainda tinha esperanças de que Garibaldi voltasse, pois Anita era casada. Mas logo veio a notícia de que Anita estava grávida, e esse era a única circunstância que faria com que Manuela desistisse de Garibaldi.
Logo assim que nasceu seu filho Menotti, Garibaldi decidiu ir embora do Rio Grande do Sul, pois sabia que a guerra já estava perdida. Em 1849, Anita morreu aos 28 anos na Itália lutando pela unificação italiana, ao lado de Garibaldi. 
Manuela, ao saber dessa notícia, ficava todos os dias à espera de Garibaldi. Seus familiares julgavam que ela estava louca, assim como a sua irmã Rosário que havia enlouquecido de amores por um oficial caramuru, que havia conhecido em Pelotas, e que havia morrido. 
Garibaldi nunca foi ao seu encontro de Manuela, que mesmo assim nunca desistiu e morreu a espera do homem de seus sonhos.
No entanto, essas informações não são comprovadas, podendo não passar de mitos e conjecturas sobre o nome de Manuela, uma vez que é certa sua paixão por Garibaldi, mas não há nenhum indício que foi correspondida. 
A cronologia militar da Revolução Farroupilha registra que, em 17 de abril de 1839, Garibaldi dedicava-se a montar um estaleiro às margens do rio Camaquã, na estância de dona Ana, irmã de Bento Gonçalves, quando foi atacado de surpresa por uma força legalista de 150 homens, sob o comando de Moringue. Ele consegue mesmo assim desvencilhar-se da armadilha; contando com o auxílio de mais 11 companheiros, de início eram apenas ele e o cozinheiro da estância. Devido a sua astúcia e coragem derrotaram o adversário, e no mesmo dia Garibaldi comunicou o fato, com detalhes, ao comando superior. Ele destaca, no relatório, que cabia "toda a glória aos 11 bravos de que acima fiz menção, cujos nomes levarei à presença do governo, para que sejam devidamente premiados."
Muito anos depois nas suas Memórias, o italiano Garibaldi, célebre "herói de dois mundos", acrescenta ao episódio uma observação particular, uma pequena nota íntima, uma curta confissão. Diz assim: "Nós celebrávamos a vitória, gozando o fato de ter sido salvos de uma tempestade. Na sede da estância, a 12 milhas, uma virgem empalidecia e rezava pela minha vida; mais doce do que a vitória, me surpreendia à notícia. Sim, belíssima filha do Continente, eu era orgulhoso e feliz de te pertencer, fosse como fosse: tu, destinada a ser mulher de outro! A mim, a sorte reservava outra brasileira”. Portanto, não era de Ana de Jesus Ribeiro, a Anita, que ele relatava, pois ele só conhecerá sua famosa e brava companheira três ou quatro meses depois, não se sabe em que data na província de Santa Catarina. Tampouco se Anita era virgem: o mais provável que não, pois em 1839 já estava casada, há quatro anos desde os 15, com Manuel Duarte de Aguiar, mais conhecido em Laguna como Manuel dos Cachorros.
Essa, a belíssima filha do Continente, Garibaldi conheceu, no início do ano, na própria estância da família de Bento Gonçalves. Era a sobrinha do então presidente da República Rio-Grandense, filha de outra das suas irmãs, dona Maria Manuela. Garibaldi mesmo é que afirma, em outra passagem das Memórias, que na estância de dona Ana havia três moças, "uma mais graciosa do que a outra" na verdade três irmãs; no entanto, "uma delas, Manuela, dominava absolutamente a minha alma. Não deixei de amá-la, embora sem esperança, porque estava prometida a um filho do presidente".
Desde 1973, graças às pesquisas do historiador italiano Salvatore Candido, duas cartas dirigidas por Luigi Rosseti a Giovanni Battista Cuneo. Em 19 de janeiro de 1839 (meses antes do episódio mencionado neste primeiro parágrafo), informa o remetente: "Garibaldi esteve extremamente doente. Mas restabeleceu-se e ameaça se casar. Escreveu-me pedindo que eu lhe sirva de mentor. Imagine se o farei." Outra carta em 7 de fevereiro, retoma o assunto: "Garibaldi está apaixonado e ameaça se casar. Mas não vai fazê-lo, de jeito nenhum. Ele me prometeu."
De um lado, temos o depoimento de Rosseti, considerando-se responsável pela desistência de Garibaldi, certamente por não confiar na estabilidade do seu compatriota no que dizia respeito aos assuntos do coração; de outro, o depoimento do próprio Garibaldi, segundo o qual fora o presidente dos farrapos quem fizera naufragar o casamento, ao garantir-lhe que a moça estava já comprometida. 
O jornalista Paulo Markun, um dos biógrafos de Garibaldi, quanto ao segundo aspecto conclui e que pode-se entender que com toda a razão: "Era mentira. O presidente recebia o italiano em sua casa, mas no fundo achava-o um aventureiro e inventou o tal compromisso." Manuela Amália Ferreira, a virgem que empalidecera e rezara enquanto Giuseppe Garibaldi combatia, com uma dezena de companheiros, uma centena e meia de adversários, encontrava-se, em 1839, temporariamente na estância da sua tia Ana, em Camaquã, porque Pelotas, estava ocupada pelos legalistas e como em outras diversas ocasiões, durante a Revolução Farroupilha. 
Embora "destinada a ser mulher de outro”, Manuela essa loira, de grandes olhos azuis, conforme Fernando Osorio, relata em Mulheres farroupilhas), morreu solteira em Pelotas aos 82 anos de idade, no dia 26 de janeiro de 1903,de fraqueza do coração, em sua residência na Rua Marechal Deodoro.
Diz-se que guardou consigo, para sempre, cartas e poemas do europeu ilustre por quem fora sinceramente apaixonada. Enquanto viveu , até o início do século 20, era conhecida de todos os pelotenses como simplesmente "A Noiva de Garibaldi".


Manoela foi  mencionada nas Memórias de Garibaldi, escrito por Alexandre Dumas. É personagem nas obras: Garibaldi & Manuela de Josué Guimarães, Os Varões Assinalados de Tabajara Ruas,  A Casa das Sete Mulheres de Letícia Wierzchowski e Um Farol no Pampa, também de Letícia Wierzchowski. Foi também retratada, na minissérie da TV Globo, A Casa das Sete Mulheres, baseada no livro do mesmo nome, onde foi protagonista. 


Manoela citou, porém, a história farroupilha a qual viveu do início ao fim. Seu corpo encontrava-se sepultado na cidade de Pelotas porém há alguns anos atrás foi exumado e incinerado, já que a família não quis pagar para manter a sepultura dela.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Teixeira Nunes - O lanceiro farrapo

Joaquim Teixeira Nunes foi um militar que deixou seu nome gravado na história do Rio Grande do Sul, comandando os lanceiros negros na Revolução Farroupilha. Sua origem é considerada um pouco turva por alguns historiadores, mas provavelmente nasceu na costa do Rio Camaquã, em Canguçu - RS, no ano de 1802, sendo filho dos primeiros povoadores do município. Casou-se, em Porto Alegre, em 4 de maio de 1823, com Felícia Maria da Silva Reis, natural de Viamão, filha do Capitão Manoel da Silva Reis e de Anna Felícia de Oliveira Pinto. Desse casamento, houve, o registro de apenas uma filha, Joaquina Teixeira Nunes, nascida em 7 de janeiro de 1824, em Porto Alegre. 
Era conhecido também como “Gavião” e por sua habilidade com as lanças, participando também da Guerra Cisplatina como alferes do Regimento de Cavalaria das Missões, onde fez parte da Batalha do Passo do Rosário. 
Republicano convicto ingressou na Revolução Farroupilha. Combateu em Rio Pardo em 1838, e logo após participou da expedição à Laguna em 1839 que formou a República Juliana. Foi ali que conheceu o revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. 
Liderou o célebre 1º Corpo de Lanceiros Negros, constituído de escravos recrutados das charqueadas oriundos dos municípios atuais de Arroio Grande, Canguçu, Piratini, Pinheiro Machado, Herval, Bagé, Camaquã, São Lourenço do Sul, Pelotas, Pedro Osório, Caçapava e Encruzilhada do Sul. 
Em companhia de Garibaldi, Luigi Rossetti e Anita Garibaldi ao retornar da expedição à Laguna, derrotou em Bom Jesus a Divisão Paulista ou da Serra ao comando do brigadeiro Francisco Xavier da Cunha, enviada de São Paulo para lutar contra os farroupilhas. Tomou parte do indeciso combate de Taquari, onde comandou uma brigada ligeira de cavalaria. Sob o comando de Bento Gonçalves participou do ataque a São José do Norte. 
Era considerando o maior lanceiro de sua época. Na Revolução Farroupilha foi um dos mais constantes, intrépidos e denodados líderes de combate. Destacou-se em diversas ações, ao ponto de ser classificado por Assis Brasil como o “maior herói da Revolução Farroupilha" e pelo General Tasso Fragoso como "a maior lança farrapa". Era também reconhecido como líder abolicionista e defensor dos direitos dos negros.
A importância de Teixeira Nunes na Revolução Farroupilha pode ser medida pela lembrança de Garibaldi, já herói da unificação da Itália, nestas palavras relatadas em carta a Domingos José de Almeida.
"Eu vi batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem lanceiros mais brilhantes que os da Cavalaria Rio-Grandense... Onde estão estes belicosos filhos do Continente, tão majestosamente intrépidos nos combates? Onde Bento Gonçalves, Netto, Canabarro, Teixeira Nunes e tantos outros."

Massacre de Porongos

A Batalha de Porongos foi o confronto mais polêmico da Revolução Farroupilha. Ocorreu na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando as tropas imperiais comandadas por Chico Pedro – o Moringue, atacaram o acampamento farroupilha que se encontrava numa curva do Arroio de Porongos, entre Piratini e Bagé, exterminando o batalhão de Lanceiros Negros comando por Teixeira Nunes. Alguns soldados farrapos também morreram, mas o que causou estranheza e polêmica foi o fato de que os cerca de 100 negros lanceiros tinham sido desarmados por David Canabarro. Persistem suspeitas que o ataque, teria sido previamente combinado com David Canabarro, que na época estava negociando a paz farroupilha com o Barão de Caxias. O receio do Império era que os lanceiros negros, formassem bandos contra a escravidão, após o término da guerra. Não há um consenso histórico sobre a traição de Canabarro no Combate ou Massacre de Porongos.
Teixeira Nunes, principal líder dos lanceiros negros, também foi surpreendido com o ataque sendo ferido durante o confronto, conseguiu fugir mas ficou debilitado. Mesmo assim coube a Teixeira Nunes em 28 de novembro de 1844, a última reação armada da República Rio - Grandense, onde foi derrotado e ferido no Arroio Chasqueiro, na Batalha de Arroio Grande. Nesse último combate farroupilha impossibilitado de defender-se após seu cavalo ser derrubado com boleadeiras, Teixeira Nunes foi lancetado pelo alferes Manduca Rodrigues que lutava pelos imperiais comandados por Moringue. Ao fim foi degolado por Eliseu de Freitas. Seu cavalo encilhado foi vendido ao cabo Mariano e o relógio, com uma grossa corrente de ouro, ao Capitão Carneiro.
Morria Teixeira Nunes, mas sua memória é preservada ao lado dos Lanceiros Negros Farroupilhas, que buscavam apenas a verdadeira liberdade, igualdade e humanidade.
No ano seguinte, em 1º de março de 1845 é assinado o Tratado de Ponche Verde e assim chegava ao fim a Revolução Farroupilha.
Teixeira Nunes foi sepultado em frente à capela de Nossa Senhora da Graça do Arroio Grande, atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça do Arroio Grande.

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Diones Franchi - Jornalista e Especialista em história do Rio Grande do Sul.


Teixeira Nunes - O Gavião e seu lanceiros negros - História do Exército

A Batalha de Porongos (1844) - Considerado por alguns como a "Traição de Porongos".

Lanceiro Negro - Quadro de Juan Manuel Blanes

Local da morte de Teixeira Nunes, no Chasqueiro, em Arroio Grande-RS

Pinheiro Machado: O senador e o município

José Gomes Pinheiro Machado foi um importante político brasileiro, conhecido como “o condestável da república”. Nasceu em Cruz Alta em 8 de maio de 1851, sendo considerado um dos mais influentes políticos da República Velha (1889-1930). Era filho de Antônio Gomes Pinheiro Machado e Maria Manoela de Oliveira Ayres. Pinheiro Machado estudou na Escola Militar e aos quinze anos abandonou o curso para lutar, como voluntário e contra a vontade dos pais, na Guerra do Paraguai. Deixou o exército em 1868 e permaneceu durante algum tempo na fazenda de seu pai, no Rio Grande do Sul para se recuperar do desgaste físico sofrido em batalha.
Fundou junto com amigos o jornal A República. Após a sua formatura, casou-se, ainda em São Paulo, com Benedita Brazilina da Silva Moniz, e voltou para o Rio Grande do Sul, onde exerceu advocacia na cidade de São Luís das Missões, atual São Luiz Gonzaga. Foi Pinheiro Machado que fundou o primeiro partido republicano do Rio Grande do Sul.
Ardoroso defensor da República no Brasil lançou-se à propaganda com republicanos como Venâncio Aires, Demétrio Ribeiro, Apolinário Porto Alegre, Ramiro Barcelos, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Júlio Prates de Castilhos, de quem se tornou amigo. Após a Proclamação da República em 1889, foi eleito senador participando da Constituinte de (1890/1891), na cidade do Rio de Janeiro.
Na Revolução Federalista (1893-1895) deixou a sua cadeira no Senado para combater o movimento armado no comando da Divisão Norte, por ele organizada.
Derrotou os revolucionários comandados por Gumercindo Saraiva na Batalha de Passo Fundo (1894), fato esse que lhe valeu a patente de general de brigada honorário. Retornou ao senado, onde permaneceu até a sua morte.
Pinheiro Machado atingiu a sua máxima influência quando Nilo Peçanha assumiu a presidência, após a morte de Afonso Pena em 1909. Apoiou a candidatura do marechal Hermes da Fonseca para presidente da República em oposição a Rui Barbosa apoiado pelos estados de São Paulo e Bahia. O resultado das eleições foi de 403.800 votos para Hermes da Fonseca contra 222.800 para Rui Barbosa.
No mandato de Hermes da Fonseca, o poder de Pinheiro Machado atingiu o seu ápice, onde teve papel predominante na política de salvação, movimento que visava apaziguar as disputas entre as oligarquias regionais.
Pretendia se candidatar à sucessão presidencial em 1914, mas articulações de seus oponentes impediram seu intento.Voltou então aos bastidores, de onde pretendia continuar manipulando à distância os jogos parlamentares e a política dos estados. Tinha imenso prestígio no Rio Grande do Sul e na região Nordeste, mas já colecionava um imenso número de desafetos noutras regiões. Em 1915 ao impor o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, quase foi linchado por uma multidão feroz que o aguardava na porta do Senado. Foi nesta ocasião que Pinheiro Machado disse uma de suas mais célebres frases, ao ordenar ao cocheiro que o apanhara na porta do Palácio do Conde dos Arcos e que lhe perguntara como deveriam sair dali: “Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo”.

O fim de Pinheiro Machado e o inicio de um município

Pinheiro Machado foi assassinado com uma punhalada pelas costas por Manso de Paiva às 16h30 de 8 de setembro de 1915. O senador foi atacado no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no Flamengo onde visitaria Rubião Júnior, político do Partido Republicano Paulista. Vinha do Senado e estava em companhia dos deputados federais paulistas Cardoso de Almeida e Bueno de Andrade. Suas últimas palavras teriam sido: "Ah, Canalha! Apunhalaram-me!". Manso de Paiva entregou o punhal sujo de sangue a Cardoso de Almeida e calmamente esperou que a polícia chegasse ao hotel para prendê-lo. Pelo resto de sua vida, Manso de Paiva insistiria que agiu por conta própria.
Meses antes, Pinheiro Machado previra sua própria morte em entrevista ao jornalista João do Rio: "Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns 'pernas finas'. Pena que não seja no Senado, como César”.

De Cacimbinhas a Pinheiro Machado

Por ironia do destino o local onde nascerá seu algoz Manso de Paiva, Cacimbinhas é homenageado com o nome de Pinheiro Machado, hoje um dos municípios mais antigos do Rio Grande do Sul. Até 1830, a área do município pertencia ao município de Rio Grande depois passou a integrar o município de Piratini desmembrando-se em 24 de fevereiro de 1879 sob a denominação de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas. Em 1857 foi elevado a freguesia e, em 1878, ocorreu a emancipação. 
O município de Cacimbinhas teve seu nome mudado para Pinheiro Machado no governo do intendente provisório Dr. Ney Lima Costa, quando o senador José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado no Rio de Janeiro por Manso de Paiva, que era um morador da região de Cacimbinhas.
Existe uma capela a beira da estrada do município, onde a água verte diariamente. Segundo a lenda havia um morador chamado Dutra de Andrade que teria perdido a visão e feito uma promessa de que se recuperasse a mesma ao lavar os olhos nas águas das cacimbinhas, mandaria construir uma capela em honra de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas, o milagre aconteceu e a capela foi construída.
O punhal usado no assassinato de Pinheiro Machado pertence ao acervo do Museu da República (Palácio do Catete) no Rio de Janeiro, onde pode ser visto. O senador Pinheiro Machado se encontra sepultado em Porto Alegre.

O Senador Pinheiro Machado

Notável político da República Velha

O município de Pinheiro Machado com cerca de 12000 habitantes.

Túmulo de José Gomes Pinheiro Machado em Porto Alegre - RS


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Castelo de Pedras Altas - O recanto de Assis Brasil

O castelo de Pedras Altas está localizado no município de Pedras Altas, sendo umas das principais obras arquitetônicas da história do estado do Rio Grande do Sul.
O castelo de Pedras Altas se localiza na região do pampa no sul do estado do Rio Grande do Sul fazendo parte da história e patrimônio dos gaúchos. Nascido em São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil foi um diplomata, político, revolucionário, agropecuarista e escritor. 
Depois de ter atuado nas embaixadas de Washington e Portugal e discursado em parlamentos, Assis Brasil queria morar no campo. Também desejava oferecer conforto à segunda mulher, Lídia Pereira Felício de São Mamede, filha de José Pereira Felício, o segundo conde de São Mamede. Os dois se casaram em Lisboa, em 1898. 
A escolha da sede do castelo aconteceu em 1904. Situada a 30 quilômetros de Pinheiro Machado, Pedras Altas tem pastagens abundantes e fontes de água. A pedra angular da fortaleza, de 44 cômodos, foi lançada em maio de 1909.
Pedras Altas impulsionou a atrasada pecuária gaúcha. Assis Brasil importou vacas Jersey da Inglaterra, robustos touros Devon, cavalos árabes e ovelhas Karakul e Ideal. Só criava animais de raça, como galinhas white wyandotte trazidas dos Estados Unidos. Ele também introduziu novas espécies de árvores, como o eucalipto, construiu estrebarias, galpões e porteiras que ainda funcionam. Ainda inventou utensílios, como a bomba de chimarrão de mil furos que jamais entope e leva o seu nome.
Assis Brasil ergueu a fortaleza com traços medievais numa das paisagens mais isoladas do Rio Grande do Sul para mostrar que era possível desfrutar a natureza sem ficar embrutecido. A idéia não era ostentar, mas enobrecer e valorizar o campo. 
O castelo foi inspirado no antigo lar de sua esposa, para fazê-la sentir-se em casa. Usou granito rosa e trouxe três espanhóis para trabalhar as pedras e encaixá-las sem uso de argamassa.
Ergueu um império onde dez crianças e seis empregados viviam baseados na concepção de mundo que tinha: o campo aliado à intelectualidade. Depois de mexer com a terra, faziam saraus, atividades culturais e se debruçavam em literatura em inglês, francês, latim e português em uma biblioteca com 9 mil exemplares, projetada de maneira que o sol entrasse e as obras não mofassem.
Foi no Castelo de Pedras Altas que aconteceu o Pacto de Pedras Altas, tratado de paz que acabava com a Revolução de 1923, luta ocorrida no Rio Grande do Sul e que teve a duração de onze meses e foi o último conflito armado entre elites estaduais. Opuseram-se novamente maragatos e chimangos, alcunha pejorativa em alusão à ave de rapina, e que, outrora denominados pica-paus. O pacto de Pedras Altas foi assinado em 14 de dezembro de 1923 e o castelo de Assis Brasil entrava para a história do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Diones Franchi - Jornalista

O Castelo de Pedras Altas

Biblioteca de Assis Brasil no Castelo de Pedras Altas

Foto do Castelo - Acervo de Assis Brasil

Pacto de Pedras Altas assinado no Castelo durante Revolução de 1923 no Rio Grande do Sul.

Município de Assis Brasil - AC. O pequeno município de pouco mais de 6000 habitantes, localizado no Acre recebeu o nome de Assis Brasil em sua homenagem por ser o embaixador que teve papel de destaque, junto com o Barão do Rio Branco e Plácido de Castro, na Questão do Acre, que culminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis, entre Brasil e Bolívia. Esse tratado garantiu a posse das terras do território do Acre ao Brasil e o direito da exploração da borracha nesta região.

 Assis Brasil

sábado, 12 de dezembro de 2015

Os farroupilhas na tomada de Porto Alegre

Na madrugada de 20 de setembro de 1835 as tropas farroupilhas invadiram Porto Alegre, tomando o poder da cidade. Mas precisamente o primeiro combate ocorreu na Ponte da Azenha. No dia seguinte Bento Gonçalves, líder do levante, entrou triunfante na capital. Bento deu posse ao vice-presidente da província, Marciano Ribeiro, e acalmou a população declarando: "Em nossas mãos, a oliveira substitui a espada".
Alguns dias depois praticamente todo o estado estava em mãos farroupilhas. Somente as cidades de Rio Pardo, São Gabriel e Rio Grande ficaram em poder do Império.
Era o inicio da maior guerra civil da História do Brasil, surgia a Revolução Farroupilha. 
Para comemorar esta data, desta vez não vou me reportar a história em si, já que muito publiquei neste espaço sobre as causas do movimento. Exibirei algumas imagens em forma de quadrinhos e charges de artistas gaúchos que retrataram sua visão critica sobre a história farroupilha.

Diones Franchi - Jornalista

Bento Gonçalves em quadrinhos!

História em quadrinhos A Tomada de Porto Alegre. Gilmar Fraga

História em quadrinhos que conta de forma didática a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul.

Charge que retrata o desejo do Rio Grande do Sul de se separar do Brasil. Na verdade sabemos que isso não estava nos planos de Bento Gonçalves.

Charge do Radicci criticando os reais motivos da Revolução Farroupilha. Iotti

Charge que mostra a provável visão dos outros estados a respeito da Revolução Farroupilha e o bairrismo do gaúcho. Mais uma critica de Iotti. A verdade que muitos não querem saber.

Charge que retrata de forma humorística a deixa sobre os farrapos em relação a briga do gaúcho com sua mulher. Como tudo a um certo exagero na questão do vestuário dos farrapos!

Charge que retrata um dos motivos para o inicio da guerra de maneira critica e humorada!

A Lenda da Lagoa da Música

Em Bagé, na atual e desmembrada Hulha Negra, perto do Rio Negro, existe uma lagoa mal-assombrada. Altas horas da noite, muito campeiro, ouviu notas de música brotando de suas águas calmas.
É que na sangrenta Revolução Federalista de 1893 uns trezentos republicanos pica-paus foram degolados em suas margens e os maragatos, vencedores, atiraram muitos mortos na lagoa. O coronel Negro Adão, de poncho largo atirado por cima dos ombros para as costas, firmava a ponta da faca bem chairada embaixo do nariz da vítima e quando esta instintivamente levava a cabeça para trás com perícia de bom conhecedor do ofício lhe era desfechado o rápido e profundo talho no pescoço. Esguichando sangue, o ferido irremediável, ainda caminhava alguns passos antes de cair. Mas não só os castelhanos foram imolados. Muitos brasileiros estavam na lista das vinganças e passaram a fazer parte dos trezentos e muitos daquela tarde suja de sangue e noite de lodo vermelho sobre a relva.
Diz a lenda que o último degolado era um rapaz muito novo, valente com armas e clarim da força derrotada. Ao ser degolado, ainda correu para a lagoa, levando o seu clarim - clarim que ele gosta de tocar até hoje, nas noites de lua cheia.

Lagoa da música - Hulha Negra - RS. 
Foto: Núcleo de Pesquisas Históricas de Candiota
Degolados da Lagoa da Música!!

Lagoa da Música atual

A lenda da panelinha

Na bela cidade de Cruz Alta, nos começos deste século, havia uma grande fonte em forma de poço, de onde partia uma sanga, hoje tudo urbanizado no cruzamento das ruas Andrade Neves e General Portinho, quase no centro da cidade. Remonta a época em que os primeiros moradores estabeleceram-se em Cruz Alta, lá pelos idos de 1805, formaram um pequeno amontoado de casas onde hoje é a Praça Erico Verissimo. Ali próximo, havia uma mata chamada de Capoeira, onde era extraída a madeira para lenha e para as construções. Na direção oposta, onde hoje forma-se a esquina da João Manoel com a Venâncio Aires havia uma nascente para o abastecimento do vilarejo, chamada de arroio Panelinha. Sua segunda vertente desemboca na esquina da Gal. Portinho com a Andrade Neves. Nesta segunda vertente, a água límpida e abundante jorrava como uma cachoeira. Era onde as lavadeiras batiam a roupa. Essa fonte, pela sua forma de poço, recebeu o nome de Fonte da Panelinha e ali muita gente boa, praticamente toda a zona nobre da cidade, abastecia-se de água. Seguidamente, apareciam tropeiros, que paravam por ali para saciar a sede. Eventualmente, muitos desses viajantes engraçavam-se com as mulheres locais ou índias enamoradas, que na maioria dos casos, acabavam retornando, geralmente para casar-se com a moça e fixar residência na localidade. E nessas idas e vindas, o imaginário popular acabou por enraizar o entendimento de que, todo aquele que bebia a água da Panelinha, acabava, inevitavelmente, voltando para Cruz Alta.
E existia a crença geral de que beber água da Panelinha era amarrar-se definitivamente a Cruz Alta. Muitas moças cruzaltenses, namoradas de oficiais do Exército de outras plagas ou de viajantes que eventualmente passavam por Cruz Alta, sempre davam um jeito de lhes servir um copo d´água da Fonte da Panelinha.
Monumento a Lenda da Panelinha, localizada de fronte a uma das vertentes do arroio em Cruz Alta - RS

As índias enamoradas ofereciam água aos tropeiros, para que eles sempre voltassem.

Monumento simboliza mulher oferecendo a água cristalina ao seu amado.